Cidade brasileira abriga vulcão de 590 metros formado há cerca de 20 milhões de anos

Formação geológica rara no interior do Rio Grande do Norte chama atenção pela aparência e pela história antiga

Localizado em Angicos, o Pico do Cabugi é considerado um dos registros vulcânicos mais preservados do País

Localizado em Angicos, o Pico do Cabugi é considerado um dos registros vulcânicos mais preservados do País | Morvan França/Wikimedia Commons

No interior do estado do Rio Grande do Norte, o município de Angicos, a pouco mais de duas horas de Natal, guarda uma formação geológica que chama a atenção de pesquisadores e visitantes.

O Pico do Cabugi surge isolado na paisagem do sertão e pode ser visto a quilômetros de distância, principalmente por quem percorre a rodovia BR-304.

A montanha também é conhecida como Serra do Cabugi e faz parte de uma área protegida do estado.

Ela faz parte do Parque Estadual Geológico do Cabugi, uma unidade de conservação criada para preservar o patrimônio natural e garantir o uso controlado da região.

Formação impressionante

Com quase 600 metros de altitude, Pico do Cabugi pode ser visto a quilômetros de distância (Foto: GLandovsky/Wikimedia Commons)

Apesar de não ser um dos maiores do Brasil, o Pico do Cabugi possui impressionantes 590 metros de altitude em relação ao nível do mar.

Essa altura faz com que ele se destaque na paisagem plana do sertão potiguar, criando um contraste visível mesmo a longas distâncias.

Apesar de ser popularmente chamado de vulcão, inclusive em registros históricos, a classificação científica é diferente. 

Geólogos definem a formação como um plug vulcânico, também conhecido como neck, ou seja, um material sólido que ficou após a erosão da parte externa de um antigo sistema vulcânico.

Origem do Pico

Pico do Cabugi tem cerca de 20 milhões de anos (Foto: GLandovsky/Wikimedia Commons)

Segundo o Comissão brasileira de sítios geológicos e paleobiológicos (Sigesp), a formação surgiu durante o período Terciário, também chamado de Neógeno, fase marcada por intensa atividade vulcânica em diferentes regiões do planeta.

Trata-se de uma formação relativamente nova em relação a outras do tipo vulcânica.

Os estudos indicam que ele se originou há cerca de 20 milhões de anos, a partir de uma intrusão magmática, processo no qual o magma sobe pela crosta terrestre e se solidifica antes de atingir a superfície.

Com o passar de milhões de anos, as camadas mais frágeis ao redor foram desgastadas pela ação do vento, da chuva e das variações de temperatura.

O que restou foi o núcleo rochoso mais resistente, formado principalmente por basalto.

Área é protegida por lei estadual

Pico do Cabugi integra o Parque Estadual Geológico do Cabugi, protegido pelo Idema-RN

Em 1988, o Governo do Estado do Rio Grande do Norte criou o Parque Estadual Geológico do Cabugi por meio do Decreto Estadual nº 10.137.

Desde então, a gestão da área passou a ser responsabilidade do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema-RN).

O órgão atua na fiscalização ambiental, no controle de visitantes e na elaboração de regras para garantir a conservação da vegetação e das formações rochosas.

A criação da unidade de conservação também contribuiu para pesquisas científicas e atividades educativas.

Escolas e universidades utilizam o local como campo de estudo para temas relacionados à geologia, ao clima semiárido e à biodiversidade da região.

Trilha do Pico do Cabugi

Pico do Cabugi pode ser acessado pela rodovia BR-304, a 170 km  de distância de Natal (Foto: GLandovsky/Wikimedia Commons)

O acesso principal ao Pico do Cabugi é feito pela rodovia BR-304, no trecho entre os municípios de Angicos e Lajes.

A entrada da trilha fica próxima à estrada, o que facilita a chegada de visitantes vindos de cidades maiores, como Natal, localizada a cerca de 170 km de distância.

A trilha até o topo é considerada de nível moderado a difícil. O percurso apresenta inclinação acentuada e solo formado por rochas soltas, conhecidas como clastos de basalto.

O tempo médio de subida varia entre duas e três horas, dependendo do preparo físico do visitante.

Ao alcançar o topo, o visitante encontra uma vista ampla do sertão potiguar. Em dias de céu limpo, é possível observar extensas áreas de vegetação típica da caatinga e pequenas cidades espalhadas pela região.