Cidade do livro: Hospedagem entrega as chaves de uma livraria e turistas ficam responsáveis pela loja durante a estadia 

Quem reserva a hospedagem não leva apenas a chave do quarto: também assume o balcão, as estantes e parte das decisões de uma livraria real

Durante a estadia, visitantes podem assumir o balcão e experimentar a rotina de uma livraria aberta ao público (Foto: Colin Tennant/Wigtown Book Festival)

Quem reserva a hospedagem não leva apenas a chave do quarto: também assume o balcão, as estantes e parte das decisões de uma livraria real

Há quem viaje para descansar, conhecer restaurantes ou simplesmente desaparecer da rotina por alguns dias. Em uma pequena cidade da Escócia, porém, as férias podem começar atrás do balcão de uma livraria. Ali, o hóspede não recebe apenas a chave da acomodação: durante a estadia, também assume temporariamente o comando do estabelecimento que funciona no andar de baixo.

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A experiência é oferecida pelo The Open Book, em Wigtown, no sudoeste escocês. O imóvel reúne uma livraria de livros usados no térreo e uma acomodação no pavimento superior. Quem reserva o espaço pode participar da rotina da loja, atender clientes, reorganizar as estantes e experimentar, por alguns dias, como seria administrar uma livraria própria.

A proposta ganhou espaço justamente por transformar a hospedagem em parte central da viagem. Em vez de funcionar apenas como cenário para fotos ou atração temática, a loja continua aberta ao público enquanto os visitantes estão por lá.

Hóspedes assumem a loja

Durante a temporada como livreiros, os visitantes recebem liberdade para interferir na rotina do estabelecimento. É possível reorganizar seções, modificar a disposição dos livros, preparar a vitrine e até ajustar preços.

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Os próprios hóspedes também podem definir parte dos horários de funcionamento e usar o quadro-negro instalado na fachada para anunciar a abertura da loja ou chamar a atenção de quem passa pela rua.

Cada grupo acaba deixando alguma marca. Ao longo dos anos, visitantes já promoveram atividades como noites de quiz, encontros informais, oficinas de marcadores de páginas e pequenas confraternizações dentro do espaço.

A experiência, contudo, não exige que toda a viagem seja passada atrás do balcão. A proposta também incentiva os hóspedes a circular por Wigtown, conhecer outros estabelecimentos e aproveitar a região. Os horários da livraria, por isso, podem variar conforme a rotina de quem está hospedado.

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Cidade cercada de livros

A escolha de Wigtown para uma experiência como essa não aconteceu por acaso. A pequena cidade é conhecida como a cidade nacional do livro da Escócia e construiu parte de sua identidade em torno das livrarias independentes.

Ruas tranquilas, sebos e estabelecimentos especializados ajudaram a transformar o destino em ponto de encontro para leitores. A cidade também recebe o Wigtown Book Festival, evento literário que reúne autores, leitores e profissionais do mercado editorial.

O The Open Book está ligado justamente à organização responsável pelo festival. Além de oferecer aos visitantes uma experiência pouco convencional, a hospedagem ajuda a aproximar turistas do comércio local e do universo das livrarias independentes.

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Parte da operação cotidiana que acontece longe dos olhos do público permanece nas mãos de voluntários. Tarefas como controle de estoque e entregas, por exemplo, não dependem exclusivamente dos hóspedes. Assim, quem chega pode experimentar a rotina de atendimento sem precisar assumir sozinho toda a administração do negócio.

Conseguir uma vaga virou desafio

A combinação entre viagem e literatura fez com que a experiência ultrapassasse rapidamente as fronteiras da pequena cidade escocesa. Com a divulgação nas redes sociais e em veículos internacionais, leitores de diferentes países passaram a disputar as temporadas disponíveis.

A procura tornou-se tornou tão grande que encontrar uma data livre pode exigir paciência. Em 2026, as reservas abertas para os dois anos seguintes já estavam preenchidas, limite de antecedência permitido pela plataforma usada pelo projeto.

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A fila por eventuais desistências também cresceu. Segundo responsáveis pela iniciativa, o número de interessados tornou praticamente impossível atender toda a demanda no ritmo atual.

Para quem consegue uma vaga, porém, a viagem guarda uma experiência difícil de reproduzir em uma hospedagem convencional. Durante alguns dias, as férias deixam de acontecer apenas entre passeios e pontos turísticos. Elas também passam pelo som da porta da loja abrindo, pelas conversas com clientes e pelas horas gastas entre estantes repletas de livros.