Depois de 6 anos fechados, túneis da maior pirâmide do mundo serão reabertos

Passagens subterrâneas da Grande Pirâmide de Cholula voltam a receber visitantes após anos fechadas

Galerias históricas revelam camadas de uma construção que atravessou mais de mil anos

Galerias históricas revelam camadas de uma construção que atravessou mais de mil anos | AlejandroLinaresGarcia/Wikimedia Commons

Depois de quase seis anos fechados, os túneis que percorrem o interior da Grande Pirâmide de Cholula, no México, devem voltar a receber visitantes nos próximos dias. As passagens subterrâneas ficaram inacessíveis desde 2020, quando a pandemia interrompeu o turismo na região.

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Agora, após trabalhos de conservação e melhorias na estrutura, autoridades mexicanas planejam reabrir as galerias que revelam como a maior pirâmide do mundo em volume foi construída ao longo de séculos.

Para quem visita Cholula, no estado de Puebla, a experiência promete ser uma viagem por diferentes camadas da história mesoamericana, escondidas sob o que por muito tempo pareceu apenas uma colina.

Construída ao longo de séculos

A Grande Pirâmide de Cholula impressiona pelo tamanho. Reconhecida como a maior do mundo em volume, a estrutura tem cerca de 450 metros de lado. Sua base é aproximadamente quatro vezes maior que a da Pirâmide de Gizé, no Egito.

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Apesar da dimensão monumental, a pirâmide mexicana não foi construída de uma só vez. Na verdade, ela é resultado da sobreposição de sete pirâmides erguidas em diferentes períodos da história da região.

As primeiras fases começaram por volta de 300 a.C., enquanto as últimas intervenções ocorreram até cerca de 900 d.C. Povos distintos, que ocuparam o território ao longo do tempo, ampliaram a construção sobre estruturas anteriores.

Pirâmide virou colina

Com o passar dos séculos, o local foi abandonado e acabou coberto por terra e vegetação. Aos poucos, a pirâmide perdeu sua aparência original e passou a se parecer com uma colina natural.

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Quando os espanhóis chegaram à região em 1519, a estrutura já tinha esse aspecto. Os habitantes locais chamavam o lugar de Tlachihualtépetl, expressão que significa “colina feita pelo homem”.

No fim do século 16, uma igreja foi construída no ponto mais alto da estrutura. O Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, inaugurado em 1594, permanece no topo da pirâmide até hoje e se tornou um dos marcos da paisagem.

Túneis revelam o interior da estrutura

A exploração do interior da pirâmide começou apenas na década de 1930. Naquele período, arqueólogos iniciaram escavações para estudar a estrutura sem comprometer a igreja instalada no topo.

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Com o avanço das pesquisas, surgiu uma rede de túneis que hoje ultrapassa 800 metros de extensão. Caminhar por essas galerias permite observar como cada fase da pirâmide foi construída ao longo dos séculos.

As passagens são estreitas, com cerca de 1,2 metro de largura, e apresentam tetos baixos em vários trechos. No interior, a temperatura costuma ser mais baixa do que do lado de fora, o que reforça a sensação de entrar em um espaço preservado pelo tempo.

Mural milenar

Entre os achados mais conhecidos está o chamado Mural dos Bebedores. A pintura possui cerca de 60 metros de comprimento e mostra diversas figuras reunidas em um banquete.

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Especialistas acreditam que os personagens representados consumiam pulque, uma bebida tradicional produzida a partir do agave. O mural tem mais de 1.500 anos e é considerado uma das representações pictóricas mais importantes da Mesoamérica.

Durante o percurso pelos túneis, também aparecem paredes feitas de adobe e palha que resistiram ao tempo. Em alguns pontos, ainda é possível ver marcas deixadas por trabalhadores que participaram da construção.

Reabertura

Os túneis permaneceram fechados desde 2020, período em que foram realizados trabalhos de conservação e manutenção. As intervenções incluíram melhorias na iluminação e instalação de novos sistemas de monitoramento.

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Além disso, foram adicionados códigos QR com informações históricas e modelos virtuais que ajudam visitantes a compreender melhor as diferentes etapas da construção da pirâmide.

Segundo o Instituto Nacional de Antropologia e História, a reabertura pode ocorrer nos primeiros dias de março. A expectativa aumenta porque o período coincide com o Equinócio da Primavera, uma das datas mais importantes para quem visita Cholula.