Um pequeno medalhão encontrado durante o trabalho no campo ajudou a mudar a história de uma região de Goiás. Por volta de 1840, o lavrador Constantino Xavier Maria teria localizado na terra uma peça com a representação da Santíssima Trindade coroando Nossa Senhora.
O achado logo ultrapassou os limites da propriedade. Moradores das redondezas começaram a procurar o casal para rezar diante da imagem, e a movimentação cresceu à medida que a história se espalhava.
Ao lado da esposa, Ana Rosa de Oliveira, Constantino passou a receber um número cada vez maior de devotos. A casa da família já não comportava os encontros, e a necessidade de construir um espaço próprio para as celebrações se tornou inevitável.
Foi assim que uma devoção nascida em ambiente rural começou a redesenhar o entorno. Primeiro veio a capela. Depois, igrejas maiores, romarias e um fluxo crescente de visitantes que ajudaria a formar a identidade de Trindade, hoje um dos principais centros religiosos do Centro-Oeste.
Fé ganhou dimensão
Com o passar dos anos, a devoção ao Divino Pai Eterno deixou de ser local e passou a atrair fiéis de outras regiões de Goiás.
Cada nova leva de peregrinos exigia estruturas maiores. Pequenos espaços deram lugar a templos mais amplos, enquanto a tradição religiosa se consolidava e atravessava gerações.
Nesse processo, a própria cidade cresceu ao redor da fé. Ruas, comércios, hospedagens e serviços passaram a acompanhar o movimento de quem chegava para cumprir promessas, participar de celebrações ou simplesmente conhecer o lugar.
A expansão ajudou a transformar Trindade em um destino marcado não apenas pela religiosidade, mas também pelo turismo e pela circulação de visitantes ao longo do ano.
Santuário virou símbolo
Hoje, o Santuário Basílica do Divino Pai Eterno representa a dimensão alcançada por essa história.
O templo recebe peregrinos de várias partes do país e se torna ainda mais movimentado durante a tradicional Romaria do Divino Pai Eterno, período em que a cidade vive uma rotina completamente diferente.
Para muitos fiéis, a chegada a Trindade encerra uma jornada iniciada dias antes. Caminhadas longas, promessas e gestos de devoção continuam fazendo parte de uma tradição construída ao longo de quase dois séculos.
Ao mesmo tempo, o santuário se consolidou como um dos principais símbolos do município e como referência para quem visita a região em busca de turismo religioso.
Tudo começou com um medalhão
Apesar da escala atual, a origem da devoção permanece ligada a um episódio simples. Antes das multidões, das igrejas monumentais e das grandes romarias, havia apenas um casal de lavradores, um pedaço de terra e um pequeno medalhão encontrado durante o trabalho.
Quase 200 anos depois, aquele objeto continua no centro de uma história que ajudou a transformar Trindade em um dos maiores destinos religiosos do Brasil e fez da fé no Divino Pai Eterno uma das marcas mais fortes da cidade.






