Pirenópolis, a 130 quilômetros de Goiânia, entrou no ranking das 10 cidades mais acolhedoras do mundo em 2026 no Traveller Review Awards, da Booking.com. O recorte é global e coloca a cidade de Goiás ao lado de destinos famosos da Itália, Japão e Austrália.
O prêmio usa avaliações verificadas de hóspedes e mede a proporção de hospedagens premiadas em cada destino. Na prática, o reconhecimento aponta um lugar onde o atendimento costuma ser tão marcante quanto o passeio, com clima de cidade pequena e rotina caminhável.
Entre ruas de pedra, igrejas antigas e trilhas que terminam em poços de água fria, Pirenópolis funciona o ano todo. A diferença está no ritmo: feriados lotam, dias comuns entregam o melhor da cidade com menos fila e mais silêncio.
Centro histórico para explorar a pé
O centro histórico concentra o cenário mais conhecido, com ruas de pedra, fachadas coloniais e igrejas que marcam a paisagem. É um passeio que rende tanto de manhã quanto no fim da tarde, quando a cidade esfria e as luzes começam a acender.
O conjunto urbano é tombado pelo Iphan, e a preservação ajuda a manter a identidade do lugar. Em nota do instituto, o superintendente do Iphan em Goiás, Allyson Cabral, resumiu o peso desse patrimônio: “A cidade reúne um dos mais ricos acervos patrimoniais do Centro-Oeste e mantém vivas suas tradições”.
Quem gosta de caminhar sem roteiro fechado pode começar pela praça da matriz e seguir por ruas laterais, entrando em lojinhas, cafés e ateliês. Em listas de cidades históricas do Brasil, Pirenópolis aparece justamente por preservar esse conjunto de casas e igrejas.
Para ver a cidade com calma, vale dividir o passeio em blocos curtos, com paradas para água, sombra e um doce local. A lógica aqui é simples: andar devagar melhora a experiência e ainda evita o tropeço nas pedras, comuns em dias de chuva.
Cachoeiras, poços e trilhas no Cerrado
Se o centro histórico é o cartão-postal, o entorno é o motivo de muita gente voltar. Pirenópolis fica perto de áreas de Cerrado com trilhas, mirantes e cachoeiras, com opções que vão do banho rápido ao dia inteiro em meio a mata.
O Parque Estadual dos Pireneus, do governo de Goiás, abriga o segundo ponto mais alto do estado, com 1.385 metros de altitude, e promete vista panorâmica de 360 graus. O órgão recomenda passar pela guarita para receber orientações de trilhas e acesso.
Na temporada de calor, a cidade vira refúgio de água fria. Cachoeira do Abade, Santa Maria e Bonsucesso são nomes recorrentes em roteiros locais, com níveis diferentes de estrutura e caminhada. A escolha do dia depende do perfil do grupo e do tempo.
Em uma seleção recente da Gazeta, Pirenópolis foi citada como destino do Cerrado para banho de cachoeira, com menção a quedas e poços que atraem quem quer natureza sem abrir mão de estrutura básica. O texto aparece em paraísos naturais para quem ama cachoeiras.
Checklist rápido para o dia de cachoeira
- Leve água e lanche leve, e evite depender só de comércio no caminho.
- Use calçado firme, porque pedra molhada escorrega e torção é comum.
- Protetor solar e repelente ajudam, mesmo em dias nublados.
- Guarde o lixo na mochila, inclusive papel e bituca de cigarro.
- Comece cedo para aproveitar o banho e voltar com luz natural.
Gastronomia e artesanato com cara de cidade pequena
Depois do banho, a cidade muda de assunto e puxa para a mesa. Pirenópolis costuma misturar comida caseira, receitas do interior e opções mais contemporâneas, com cardápios que aproveitam ingredientes do Cerrado e produtos de pequenos produtores.
As lojas do centro também ajudam a preencher o tempo entre um passeio e outro. O artesanato local aparece em cerâmica, tecidos e peças decorativas, e muita gente prefere comprar direto de ateliê, onde dá para entender a técnica e a história de cada trabalho.
À noite, Pirenópolis não precisa de programação longa para funcionar. Um jantar sem pressa, uma caminhada curta e uma volta para a pousada já entregam o tipo de descanso que muita gente procura quando quer viajar sem correr atrás de atração o tempo todo.
Tradições que movimentam a cidade
Além do turismo de natureza, Pirenópolis também é lembrada por festas tradicionais, com destaque para a Festa do Divino e as Cavalhadas. O calendário muda de ano para ano, mas o impacto se repete, porque mexe com a cidade inteira e atrai visitantes.
Em reportagem do Ministério do Turismo, o advogado aposentado Luiz Carlos Cardoso, apresentado como imperador da festa, descreveu o peso da tradição em uma frase: “É uma honra ter o Divino na minha casa, privilégio que poucos pirenopolinos tiveram em quase dois séculos”.
Se a ideia é ver essa Pirenópolis mais movimentada, vale planejar com antecedência. Em períodos de festa, hospedagem e restaurantes lotam, e o trânsito no centro muda. Já fora dessas datas, a cidade tende a ficar mais silenciosa, com clima de rotina lenta.
Como planejar a viagem sem complicar
Pirenópolis fica entre Goiânia e Brasília, e a cidade costuma entrar na lista de bate-volta para quem está em uma das capitais. Para aproveitar melhor, porém, dormir ao menos uma noite ajuda a encaixar centro histórico, cachoeira e uma refeição com calma.
Para escolher a época, pense primeiro no seu objetivo. Se você quer água e calor, o verão costuma render mais banho, com atenção ao risco de chuva. Se a prioridade é andar pelo centro e fazer trilha, meses mais secos facilitam e reduzem lama.
Na hora de montar o roteiro, menos é mais. Pirenópolis combina com duas ou três prioridades por dia, sem tentar ver tudo. O caminho entre atrações pode envolver estrada de terra, e o tempo real de deslocamento costuma ser maior do que parece no mapa.
No fim, a lógica do acolhimento que colocou a cidade no radar é simples: boa recepção começa quando o visitante respeita o lugar. Andar devagar, cuidar do patrimônio e tratar a natureza como parte do passeio ajuda a manter Pirenópolis do jeito que ela é.











