O sonho de morar em um cruzeiro de luxo e conhecer o mundo terminou de forma inesperada para 203 passageiros do Villa Vie Odyssey. Após mais de dois anos no mar, eles precisaram abandonar a embarcação durante uma parada no Camboja, no Sudeste Asiático, depois que a operadora anunciou a suspensão das atividades.
A decisão ocorreu na terça-feira (27/10), quando a norte-americana Villa Vie Residences reconheceu que não conseguia mais sustentar os custos da viagem. Os passageiros receberam poucas horas para reunir seus pertences e desembarcar, sem saber quando poderiam retornar ao navio.
Com partida de Belfast, na Irlanda do Norte, em outubro de 2024, o cruzeiro prometia uma viagem contínua de três anos e meio por quase 150 países. Para muitos moradores, a embarcação não representava apenas uma forma de conhecer o mundo, mas a própria casa.
Combustível inviabilizou viagem
Por trás da interrupção está o aumento dos preços internacionais dos combustíveis, pressionados pela guerra envolvendo o Irã. Segundo a operadora, o gasto mensal com combustível por cabine saltou de US$ 1.800 para até US$ 8 mil em determinadas regiões da Ásia.
Na tentativa de reduzir as despesas, a companhia diminuiu a velocidade da embarcação e prolongou as paradas nos portos. As medidas, entretanto, não foram suficientes para compensar os custos adicionais.
Diferentemente dos cruzeiros tradicionais, o Villa Vie Odyssey funcionava como uma comunidade flutuante. Os passageiros podiam comprar cabines por valores entre US$ 120 mil e US$ 440 mil, transformando o navio em residência permanente.
A estrutura incluía restaurantes, bares, piscina e espaços de convivência. A proposta atraía principalmente aposentados interessados em passar os próximos anos viajando sem abrir mão do conforto de uma casa.
Passageiros relatam tristeza
Entre os moradores afetados estão Lanette Canen e Johan Bodin, que receberam a notícia por volta das 6h da manhã. Conforme relataram à BBC, precisavam deixar a embarcação até as 14h daquele mesmo dia.
Embora já conhecessem as dificuldades financeiras da operadora, os dois ainda esperavam que um investidor conseguisse salvar o projeto. A confirmação da suspensão provocou tristeza entre os passageiros, que se apoiaram em meio a abraços e lágrimas.
Mesmo com a frustração, Lanette e Johan consideram que a experiência valeu a pena pelas viagens e amizades construídas. Agora, pretendem conhecer outras regiões do Sudeste Asiático enquanto decidem os próximos passos.
A passageira Holly Hennessey, por sua vez, desembarcou no Camboja acompanhada de seu gato, Captain. Hospedada na região, ela ainda alimenta a esperança de retornar ao navio e retomar a vida em alto-mar.
Futuro permanece incerto
Diante da crise financeira, a Villa Vie Residences anunciou um período de 60 dias para tentar reorganizar as finanças e atrair novos investidores, mas reconheceu que não existe garantia de recuperação.
Enquanto alguns passageiros deixaram o Camboja de avião, outros permanecem em hotéis na cidade portuária de Sihanoukville. A embarcação deve ser reabastecida antes de deixar o país, embora a saída não represente necessariamente a retomada do cruzeiro.
Sem uma previsão para voltar a bordo, os moradores precisam reorganizar a própria rotina. Muitos investiram suas economias na promessa de passar anos navegando pelo mundo e agora enfrentam a incerteza sobre o futuro da embarcação que escolheram como lar.






