O novo movimento “Me-Moo” propõe uma espécie de lua de mel individual, focada em descanso, autonomia e descobertas pessoais, sem depender de parceiro ou ocasião específica.
A proposta dialoga com uma mudança visível no comportamento feminino.
No Brasil, cresce o número de mulheres que incluem viagens solo no planejamento, tanto em deslocamentos internos quanto na vinda de estrangeiras desacompanhadas ao País.
Um levantamento da empresa internacional Condor Ferries aponta que 64% dos viajantes no mundo são mulheres. Além disso, 45% delas declararam interesse em viajar sozinhas em 2025, alta de 8% em relação a 2024.
Mudança de comportamento
Para a consultora de turismo Santuza Macedo, CEO da Diamond Viagens, a tendência revela uma transformação na forma como mulheres encaram o ato de viajar.
“Viajar sozinha deixou de ser um ato impulsivo ou de ruptura. Hoje é uma decisão planejada, ligada à saúde emocional, à autonomia e ao desejo de viver experiências próprias”, afirma.
Iniciativas de orientação
O avanço das viagens solo ocorre ao mesmo tempo em que surgem ações institucionais.
Nesta quinta-feira (5/3) o Ministério do Turismo lançou o Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas, publicação com dados e orientações para incentivar um turismo mais seguro e responsável no Brasil.
Segundo Santuza, o material responde a questionamentos frequentes. “Mulheres querem viajar, mas querem clareza, respeito e segurança. Informações objetivas fazem diferença na decisão do destino”, explica.
Exemplos práticos incluem mapas com áreas bem avaliadas, contatos de apoio e recomendações de hospedagem adaptadas ao público feminino.
Para acompanhar a tendência, a Gazeta criou uma lista de destinos ideais para viajar desacompanhada.
Em outra ocasião, também reuniu os nomes de paises que exigem atenção redobrada do público feminino que viaja sozinho.
Turismo doméstico em alta
Dados do Ministério do Turismo apontam aumento no turismo doméstico, principalmente em viagens de curta e média duração.
Cidades históricas, centros urbanos organizados, regiões de natureza com estrutura e polos gastronômicos figuram entre os destinos mais procurados.
“Muitas começam por viagens próximas, dentro do próprio estado. É um passo importante para ganhar confiança e autonomia”, diz Santuza.
Desafios da viagem solo
Apesar da expansão, ainda há receios ligados à segurança, deslocamentos noturnos e escolha de hotel.
“Perguntas como ‘vou me sentir segura à noite?’ ou ‘esse hotel está preparado para receber mulheres sozinhas?’ são comuns. O setor precisa ouvir essas dúvidas e se adaptar”, avalia.
Estudos da Harvard Medical School indicam que experiências de viagem contribuem para reduzir o estresse e melhorar o bem-estar emocional, especialmente quando envolvem autonomia.
“Planejar, decidir e lidar com situações inesperadas fortalece a autoconfiança. Muitas mulheres relatam que só depois de viajar sozinhas perceberam o quanto são capazes”, afirma.


