O mar cobre esta ‘ilha’ brasileira todos os dias: faixa de areia só aparece por algumas horas

Areia Vermelha surge durante a maré baixa, forma piscinas naturais no litoral paraibano e exige atenção ao horário antes da visita

Faixa de areia exposta pela maré baixa contrasta com os recifes e as águas azuladas do parque marinho. (Foto: Reprodução/Marco Pimentel)

Faixa de areia exposta pela maré baixa contrasta com os recifes e as águas azuladas do parque marinho. (Foto: Reprodução/Marco Pimentel)

A cerca de um quilômetro da costa de Cabedelo (PB), na Grande João Pessoa, uma faixa de areia avermelhada e extensa emerge do Atlântico durante a baixa-mar. Cercado por recifes e piscinas naturais, o trecho permanece visível por algumas horas antes que o oceano volte a encobri-lo.

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Conhecido como Areia Vermelha, o lugar está entre as principais atrações naturais do litoral paraibano. Apesar do apelido de ilha, trata-se de uma coroa arenosa temporária, cuja extensão muda de acordo com o nível do mar.

Nos dias mais favoráveis, as embarcações encontram uma faixa ampla em mar aberto. Os visitantes desembarcam, caminham pela areia e aproveitam as áreas rasas protegidas pelos recifes. A paisagem arenosa desaparece quando a água sobe, mas a formação permanece submersa no mesmo ponto.

Não é uma ilha

Areia Vermelha integra o Parque Estadual Marinho de Areia Vermelha, criado em agosto de 2000 para preservar a coroa arenosa, os recifes, as piscinas naturais e as espécies que vivem na região. A unidade de conservação ocupa aproximadamente 231 hectares e possui mais de oito quilômetros de perímetro.

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O fenômeno acompanha a variação natural das marés. Durante a baixa-mar, o nível do oceano diminui e revela a areia acumulada sobre o relevo submarino. Horas depois, o movimento contrário cobre novamente o local.

Como a altura das marés varia ao longo do mês, a faixa exposta nem sempre mantém o mesmo tamanho. Em algumas datas, uma área extensa emerge; em outras, apenas uma pequena porção aparece. Os operadores turísticos, portanto, definem cada saída com base na previsão para aquele dia.

Nome atravessa séculos

A coloração da coroa explica a denominação do destino. Segundo o plano de manejo do parque, moradores da região já empregavam o nome Areia Vermelha para identificar o trecho do litoral.

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Ao redor da faixa arenosa, os recifes diminuem a força das ondas e favorecem o surgimento de piscinas naturais. Quando as condições de visibilidade ajudam, os visitantes conseguem observar peixes, algas e outros organismos em águas pouco profundas.

A beleza do cenário convive, porém, com a fragilidade do ecossistema. Corais e outras estruturas marinhas levam anos para crescer e podem sofrer danos provocados pelo pisoteio, pela ancoragem irregular ou pelo contato constante das pessoas.

Conhecer o local, portanto, exige mais do que escolher um dia ensolarado. O visitante precisa respeitar as áreas permitidas e acompanhar as orientações das equipes responsáveis pelo passeio.

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Horário muda diariamente

Catamarãs, lanchas e táxis náuticos fazem o transporte até Areia Vermelha. As embarcações partem de marinas de Cabedelo e João Pessoa, já que nenhuma ligação terrestre conecta o banco à costa.

Antes de marcar a visita, vale consultar a tábua de marés do Porto de Cabedelo, publicada pelo Centro de Hidrografia da Marinha. Níveis mais baixos costumam revelar uma área maior e ampliar o tempo disponível para o desembarque.

As regras da unidade autorizam atividades na coroa com maré inferior a 0,9 metro, entre 8h e 16h30. Mesmo dentro desse intervalo, as empresas ajustam os horários conforme a previsão do dia, a intensidade dos ventos e as condições de navegação.

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O retorno também exige pontualidade. À medida que o nível sobe, o espaço para caminhar diminui e correntes podem se formar entre os recifes. Se o mar apresentar riscos, os operadores podem alterar ou cancelar a saída.

Proteção acompanha visita

A parte mais importante do parque permanece sob a superfície. Os recifes oferecem abrigo, alimento e áreas de reprodução para diferentes espécies, além de contribuírem para a formação das piscinas naturais que atraem os turistas.

Pisar sobre os corais, recolher animais, alimentar peixes ou abandonar resíduos prejudica esse ambiente. As embarcações também precisam utilizar pontos autorizados para impedir que âncoras atinjam as estruturas submersas.

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Em 2026, o Ministério Público da Paraíba reforçou as medidas de segurança e fiscalização. O órgão recomendou que as marinas verifiquem a habilitação dos condutores, orientem os passageiros e cumpram os horários estabelecidos para a navegação e a permanência na unidade.

Cabe aos visitantes circular somente pelas áreas permitidas, manter distância dos recifes e recolher todo o lixo produzido. As orientações da tripulação indicam tanto os pontos adequados para banho quanto o momento seguro de retornar.

A Areia Vermelha permanece submersa durante boa parte do dia e emerge somente quando o nível do oceano permite. Essa condição determina os horários do passeio e torna o planejamento indispensável para conciliar turismo, segurança e preservação ambiental.