Às margens do Rio Paraíba do Sul, em Aparecida, um trecho de paisagem aparentemente comum guarda uma das histórias religiosas mais conhecidas do Brasil. Foi naquela região que, em 1717, três pescadores encontraram a pequena imagem que mais tarde se tornaria Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil.
Domingos Garcia, Felipe Pedroso e João Alves navegavam pelo rio em busca de peixes quando passaram horas sem conseguir praticamente nada. Depois de várias tentativas, João Alves lançou novamente a rede e retirou da água o corpo de uma imagem de terracota, ainda sem a cabeça.
Logo depois, em outro ponto do percurso, a parte que faltava apareceu. A cabeça se encaixava na peça encontrada minutos antes e, segundo o relato tradicional preservado ao longo dos séculos, a pesca se tornou abundante a partir daquele momento.
Mais de 300 anos depois, o cenário associado ao episódio continua acessível. O Porto Itaguaçu, em Aparecida, reúne hoje estruturas religiosas, mirantes e monumentos que ajudam a contar a história do encontro da imagem às margens do Paraíba do Sul.
Onde tudo começou
Com cerca de 129 mil metros quadrados, o Porto Itaguaçu se consolidou como um dos principais pontos ligados à trajetória de Nossa Senhora Aparecida fora do Santuário Nacional.
Atrás da Capela da Pesca Milagrosa fica o Mirante do Rio Paraíba do Sul, onde a Cruz do Encontro marca a área tradicionalmente associada ao momento em que a imagem foi retirada das águas.
Não existe, porém, uma indicação moderna capaz de determinar com precisão o ponto exato de cada lançamento da rede. Por isso, as referências atuais funcionam como marcos históricos e religiosos de um episódio reconstruído a partir da tradição.
Ainda assim, o próprio rio permanece diante dos visitantes e ajuda a aproximar a paisagem atual da narrativa de 1717.
Nas proximidades, outro ponto amplia essa conexão. O Mirante das Pedras abriga uma imagem de Nossa Senhora Aparecida com cerca de 1,80 metro de altura e, segundo relatos de antigos moradores, marca a região associada ao encontro da cabeça da peça.
Porto mudou de cara
A estrutura atual ganhou novo impulso em 2024, quando o Porto Itaguaçu passou por uma ampla revitalização.
Entre as mudanças está a renovação da Capela da Pesca Milagrosa, que recebeu novo altar, além da reorganização de espaços destinados à circulação e à visitação.
O complexo também reúne o Monumento dos Três Pescadores e a Cruz do Encontro, elementos que transformam o local em uma espécie de roteiro visual da história iniciada no rio.
Ao mesmo tempo, o Porto passou a assumir um papel ainda mais integrado ao turismo religioso de Aparecida. Hoje, funciona como ponto de partida para o Caminho do Rosário e dá acesso ao Parque Três Pescadores.
Essa combinação permite que o visitante vá além do encontro da imagem e percorra outros espaços ligados à devoção e à memória dos pescadores.
História segue viva
Mesmo depois da revitalização, o entorno continua recebendo novos elementos. Em abril de 2026, a Prefeitura de Aparecida iniciou as obras de uma nova escultura dedicada aos Três Pescadores, projeto pensado para reforçar a identidade turística e histórica da região.
A iniciativa mostra como um episódio ocorrido há mais de três séculos continua influenciando a cidade.
Quem visita Aparecida costuma ter o Santuário Nacional como principal referência, mas a origem de toda essa história está alguns quilômetros dali, às margens do Paraíba do Sul.
Foi naquele trecho do rio, entre redes lançadas quase sem esperança e uma pequena peça de terracota retirada da água, que começou a devoção que transformaria Aparecida em um dos maiores centros religiosos do país.






