Considerado um dos destinos mais desejados do mundo e detentor do título de Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco, o arquipélago de Fernando de Noronha, em Pernambuco, guarda uma peculiaridade que surpreende muitos visitantes: nenhum nascimento é registrado na ilha desde 2004.
Embora não exista uma lei formal de proibição, a ausência de partos no local é uma medida prática adotada para garantir a segurança de mães e bebês.
Por que não há nascimentos na ilha?
A principal razão para essa restrição é a falta de infraestrutura neonatal adequada no arquipélago.
Até 2004, a média de nascimentos era baixa, em torno de três por mês. Naquele ano, a única maternidade da ilha, localizada no Hospital São Lucas, foi desativada sob a justificativa de que o custo para manter a estrutura e a equipe era excessivamente alto para a baixa demanda.
Como funciona o protocolo atual:
- Transferência obrigatória: ao atingirem o sétimo mês de gestação, as grávidas são transferidas para Recife, capital pernambucana, situada a 545 quilômetros de distância;
- Assistência governamental: o Governo de Pernambuco arca com os custos de transporte, estadia e despesas médicas das gestantes para assegurar um atendimento de alta complexidade no continente;
- Debate local: a medida divide opiniões. Enquanto a administração foca na segurança, alguns moradores criticam a norma, alegando que ela representa uma “violação do direito de nascer” no próprio território.
Um santuário de luxo e preservação
Localizado a 360 km da costa, Fernando de Noronha é mundialmente famoso por suas paisagens de tirar o fôlego, como a Baía do Sancho — frequentemente eleita a praia mais bonita do mundo — e a Baía dos Porcos.
Para manter o ecossistema preservado, o turismo no local é controlado:
- Taxas e limites: existe um limite diário de visitantes e a cobrança de uma taxa ambiental obrigatória;
- Custo de vida: a logística complexa e a necessidade de preservação tornam o destino um local de luxo, com custos elevados de alimentação e hospedagem;
- Atrativos: além das praias, o arquipélago é referência para o mergulho com tartarugas e golfinhos, e para o surfe, com destaque para as ondas da Cacimba do Padre entre dezembro e fevereiro.
Apesar das restrições para novos habitantes “nativos”, Noronha continua sendo uma referência mundial em turismo sustentável, focada em proporcionar experiências únicas em meio à natureza preservada.





