A cerca de 90 quilômetros da cidade de São Paulo, Campinas virou referência em pesquisa e tecnologia e ganhou o apelido de “Vale do Silício Brasileiro”. A combinação de investimento, estrutura e localização ajuda a explicar esse avanço.
O município, muitas vezes conhecido como a “capital do interior”, concentra empresas, centros de P&D e instituições que transformam ciência em inovação. Por isso, o nome aparece com frequência quando o assunto é desenvolvimento tecnológico e geração de negócios no interior de São Paulo.
Esse cenário também se apoia em infraestrutura de grande porte, como o Sirius, inaugurado em 2018, apontado como a maior e mais complexa infraestrutura de pesquisa já criada no Brasil.
Tecnologia e empresas no mesmo endereço
Em junho de 2024, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 3680/23, que intitula Campinas como capital nacional da ciência, tecnologia e inovação. A cidade abriga 30 das 500 maiores empresas de tecnologia do País.
De volta ao estado de São Paulo como polo de inovação, Campinas reúne 20 centros de P&D e quatro parques tecnológicos, com 120 empresas instaladas. Algumas nasceram ali, como Ifood, Quinto Andar e CI&T.
Investimento e logística que aceleram resultados
O investimento aparece como um dos motores desse ecossistema. Em 2024, Campinas recebeu R$ 27,6 bilhões do Estado paulista, segundo a Pesquisa de Investimento de Anunciados no Estado de São Paulo (Piesp).
Na prática, a cidade também ganha força por estar cercada por cinco rodovias importantes, Anhanguera, Bandeirantes, Dom Pedro, Fernão Dias e Presidente Dutra. Assim, a conexão com outras regiões fica mais rápida.
Outro ponto decisivo é o Aeroporto de Cargas de Viracopos, citado como o maior da América do Sul. Em 2020, a Air Cargo World elegeu o terminal como o terceiro melhor do mundo em exportação.
Ciência que vira inovação no dia a dia
Fundada em 1966, a Unicamp se consolidou como um dos principais centros acadêmicos do País. Em 2024, foi a terceira universidade com mais patentes do Brasil e a primeira do Estado de São Paulo.
O impacto na economia local aparece em números. Em 2019, a universidade movimentou mais de R$ 6,4 bilhões para o município. Além disso, em 2024, empresas ligadas ao parque da Unicamp movimentaram R$ 129 milhões.
Campinas também se apoia em outros polos, como o CPQD, focado em tecnologia da informação, e o CNPEM, especializado em nanotecnologia e biociência. Em 2024, a cidade ganhou o CDE, voltado à computação quântica.
Mais do que um polo tecnológico, Campinas mostra o caminho que o Brasil pode construir quando ciência, educação e desenvolvimento seguem juntos e com foco em resultados.


