Vila Itororó: poucos paulistanos conhecem esse tesouro bucólico da história da cidade

Uma verdadeira viagem no tempo sem sair do centro de São Paulo. Visitar a Vila Itororó é descobrir a força da resiliência e da cultura no patrimônio histórico

Transformada em centro cultural desde 2021, naVila Itororó, é possível observar ruínas arquitetônicas

Transformada em centro cultural desde 2021, naVila Itororó, é possível observar ruínas arquitetônicas | Mayra Azzi / Acervo Instituto Pedra

A Vila Itororó parece um lugar escondido em plena São Paulo. Entre ruínas arquitetônicas, memória urbana e programação cultural, ela guarda uma história rara: ali funcionou a primeira piscina privada de uso público da cidade.

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Hoje, o espaço na Bela Vista virou ponto de descoberta para quem gosta de passeios com contexto, imagem forte e uma sensação de viagem no tempo sem sair do centro.

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Por que a Vila Itororó chama atenção

Localizada na região central da cidade de São Paulo, na rua Maestro Cardim, 60, no bairro da Bela Vista, a Vila Itororó foi construída entre 1922 e 1929 por Francisco de Castro, filho de imigrantes portugueses.

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Considerada a primeira vila urbana da Capital, ela reúne 37 casas e um palacete em uma área de 4,5 mil m². A construção aproveitou materiais de demolição e incorporou peças como carrancas e ornamentos do antigo Teatro São José, o que ajuda a explicar o visual único do conjunto.

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Segundo informações da Secretaria Municipal de Cultura, Francisco comprou os terrenos aos poucos. O plano era morar no palacete e alugar as casas ao redor, criando um conjunto residencial incomum para a época.

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A curiosidade que faz a história fugir do óbvio

Francisco queria mais do que uma vila de aluguel. O local também funcionaria como uma espécie de clube e chegou a abrigar a primeira piscina privada de uso público da cidade, abastecida pelas águas do riacho do Itororó, hoje canalizado sob a avenida 23 de Maio.

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Entre ruínas e restauros, a Vila Itororó fascina pelo uso de materiais de demolição e ornamentos históricos, criando um cenário único na paisagem urbana de São Paulo. .Entre ruínas e restauros, a Vila Itororó fascina pelo uso de materiais de demolição e ornamentos históricos, criando um cenário único na paisagem urbana de São Paulo. Foto: Acervo Milu Leite / Divulgação Secretaria Municipal de Cultura

Esse detalhe muda completamente a leitura do lugar. A Vila Itororó deixa de ser apenas um conjunto antigo e passa a representar uma fase pouco lembrada da vida social paulistana.

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Endividado e sem filhos, Francisco morreu em 1932, aos 55 anos, e aproveitou pouco o próprio projeto. Depois disso, a vila foi a leilão e passou a ser administrada por Augusto de Oliveira Camargo, ligado ao Hospital Beneficente Augusto de Oliveira Camargo, em Indaiatuba.

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Augusto manteve a lógica dos aluguéis, inclusive no palacete, e a renda era destinada ao hospital. Com o tempo, porém, o espaço perdeu prestígio, saiu do circuito da elite e entrou em um processo de deterioração.

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Da decadência ao renascimento cultural

Ao longo dos anos, a Vila Itororó deixou de ser endereço de famílias de classe média e passou a conviver com cortiços e invasões. O contraste entre esse passado e a situação atual é um dos pontos mais fortes da narrativa.

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Em 2002, o Conpresp determinou o tombamento da Vila Itororó. Em 2005, o Condephaat também reconheceu o conjunto como patrimônio histórico.

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No ano seguinte ao tombamento, a saída dos moradores foi definida por decreto estadual. Após conflitos e negociações, a remoção total das famílias foi concluída em 2013, com encaminhamento para moradias populares na região.

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No mesmo ano, o Governo do Estado cedeu o uso do espaço à Prefeitura de São Paulo, que iniciou o processo de restauração. Parte da Vila passou a funcionar como centro cultural em setembro de 2021.

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O que existe hoje na Vila Itororó

Desde então, o espaço recebe oficinas livres, residências artísticas, exposições e outras atividades culturais. O conjunto também abriga uma unidade do Fab Lab, com laboratório de fabricação digital, impressoras 3D, cortadora a laser, computadores e equipamentos de eletrônica e robótica.

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Além disso, o Centro de Referência de Promoção da Igualdade Racial atua no local com atendimento e orientação multiprofissional em casos de discriminação racial. Ou seja, a Vila Itororó não vive só de memória: ela foi devolvida à cidade com uso público e função contemporânea.

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É justamente essa combinação entre ruína, reinvenção e curiosidade histórica que transforma a visita em algo mais marcante do que um simples passeio. No centro de São Paulo, poucos lugares contam tantas camadas da cidade em um mesmo endereço.

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Mais informações podem ser consultadas no site oficial da Vila, mantido pela Prefeitura de São Paulo.