Azeite lampante nas prateleiras: entenda a análise do Mapa e por que esse tipo de óleo pode ser perigoso para a sua saúde

Azeite lampante, considerado impróprio para consumo, foi encontrado disfarçado de extravirgem em supermercados. Veja os riscos à saúde

azeite

Foto: Divulgação/Unsplash

Uma análise do laboratório oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apontou que azeites vendidos como extravirgem em supermercados brasileiros não correspondem à classificação informada nos rótulos. Algumas das marcas vendidas com o rótulo de extravirgem são, na verdade, virgem, e os vendidos nessa categoria foram considerados como lampante, tipo impróprio para consumo direto.

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O Mapa reforça que os resultados ainda são preliminares. Mas os laudos foram enviados à Justiça Federal em São Paulo dentro de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF), que investiga fraudes na importação de azeites e risco à saúde pública.

Segundo os documentos, amostras das marcas Andorinha, Gallo, Borges, Gomes da Costa, Filippo Berio e Carrefour foram reclassificadas de extravirgem para virgem, uma categoria inferior. Já produtos das marcas Costa D’Oro e Terras de Camões teriam sido enquadrados como lampante, tipo impróprio para consumo direto.

Por que a diferença entre os tipos de azeite importa tanto?

A classificação de um azeite define sabor, composição química e benefícios nutricionais. Quanto mais alta a categoria, maior a concentração de polifenóis e antioxidantes, compostos associados a benefícios à saúde cardiovascular.

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Pagar o preço de um extravirgem por um produto que, na prática, é virgem, ou pior, lampante, significa levar para casa um azeite com menos qualidade sensorial e nutricional do que o anunciado.

Qual a diferença entre azeite extravirgem, virgem e lampante?

A resposta está nos critérios técnicos do Mapa, que avaliam parâmetros químicos e sensoriais:

  • Extravirgem: acidez livre de até 0,8% e ausência total de defeitos sensoriais, sem sabor rançoso, oxidado ou metálico. É a categoria de maior qualidade;
  • Virgem: acidez livre de até 2%, com pequenas imperfeições sensoriais toleradas. Ainda é próprio para consumo, mas com qualidade inferior ao extravirgem;
  • Lampante: apresenta defeitos que o tornam impróprio para consumo humano direto, exigindo processo de refino antes de chegar à mesa.

Por que o azeite lampante é perigoso para a saúde?

Diferente do extravirgem, o lampante não passa por nenhum controle sanitário voltado ao consumo humano. Ele é extraído de azeitonas fermentadas, deterioradas ou mal armazenadas, e sua alta acidez reflete justamente esse estado de decomposição do óleo. Historicamente, ele é usado como combustível para lamparinas.

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O problema não é só a acidez em si, mas o que ela sinaliza: contaminação microbiológica, oxidação avançada e, em muitos casos de fraude, a presença de substâncias adicionadas de forma irregular para disfarçar sabor e aparência. Os lampantes podem conter corantes e aromatizantes não autorizados, cujos efeitos sobre o organismo ainda não são totalmente conhecidos.