Copa do Mundo em xeque: conflito entre EUA e Irã ameaça o Mundial e o futebol

Federação iraniana admite que a participação no torneio é improvável após os recentes ataques militares

Caso os iranianos desistam da competição, outra seleção poderia herdar a vaga direta

Caso os iranianos desistam da competição, outra seleção poderia herdar a vaga direta | Reprodução/ Redes Sociais

Faltando um pouco mais de três meses para o início da Copa do Mundo, a escalada da tensão entre Estados Unidos e Irã coloca em dúvida o futuro do cenário futebolístico.

A situação atual acendeu o alerta da comunidade esportiva internacional e de outros países do Oriente Médio atingidos por mísseis, como Qatar, Bahrein e Emirados Árabes Unidos.

Dentro de toda essa crise, uma dúvida pode começar a tomar conta da cabeça dos amantes de futebol: como o conflito atual pode afetar o esporte?

Participação do Irã no Mundial

A Copa do Mundo será sediada nos Estados Unidos, México e Canadá. Entre as seleções participantes está justamente o Irã, presente no Grupo G, ao lado de Nova Zelândia, Bélgica e Egito.

Entretanto, a participação da equipe, que tem partidas previstas para serem disputadas nos Estados Unidos, ficou incerta, principalmente após falas recentes do presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj.

“Com o que aconteceu hoje e com o ataque dos Estados Unidos, é improvável que possamos olhar para a Copa do Mundo com esperança, mas são os dirigentes do esporte que devem decidir sobre isso”, disse o presidente.

Caso os iranianos desistam da competição, outra seleção poderia herdar a vaga direta. Entre as principais candidatas está a seleção dos Emirados Árabes Unidos, eliminada na quarta fase da repescagem asiática pelo Iraque.

O regulamento da própria Fifa prevê uma substituição em caso de desistência, o que estabelece duas possibilidades: os Emirados Árabes Unidos entram no lugar do Irã por terem ficado uma posição atrás na posição geral das Eliminatórias, ou o Iraque, classificado para a última fase da repescagem mundial, será contemplado com a vaga.

Questões envolvendo uma possível saída do Irã não são muito recentes. Em 2025, durante o sorteio da fase de grupos do Mundial, a delegação iraniana boicotou o evento devido à dificuldade de cidadãos iranianos de conseguir vistos para ir até o torneio nos EUA.

Liga iraniana interrompida

O Irã anunciou no último final de semana a suspensão da liga nacional de futebol por tempo indeterminado, conforme informado pelo presidente da Federação Iraniana, em pronunciamento na televisão estatal.

A medida interrompe competições organizadas pela entidade em todo o território nacional.

Imagem da Fifa e Prêmio da Paz

O ataque lançado por Donald Trump, de forma conjunta com Israel, é considerado por especialistas como um contraste com o Prêmio da Paz promovido pela Fifa.

A concessão da entidade é uma forma de reconhecer personalidades que contribuíram para a paz. Porém, a mídia aponta que as recentes operações militares promovidas por Trump, não apenas no Irã, mas também na Venezuela no começo de janeiro, podem gerar críticas e levantar questões sobre a neutralidade da Fifa.

O presidente da entidade esportiva, Gianni Infantino, afirmou em entrevista ao The World with Yalda Hakim, exibido pela Sky News, no Reino Unido, em janeiro, que o slogan da organização (o futebol une o mundo) “anda de mãos dadas com a paz”.

“Há algum tempo, pensávamos se deveríamos fazer algo para recompensar as pessoas que fazem algo”, disse Infantino. Em seguida, o presidente se referiu a Trump dizendo que “objetivamente, ele merece”.

Críticos da premiação relembraram que, no último ano, os EUA bombardearam sete países: Venezuela, Síria, Iraque, Irã, Nigéria, Iêmen e Somália

O Secretário-geral da Fifa, Mathias Grafstrom, comentou sobre o assunto, mas não especificou como os acontecimentos podem afetar a Copa. 

“Li as notícias esta manhã da mesma forma que vocês. Tivemos uma reunião hoje e é prematuro comentar em detalhes, mas acompanharemos os desdobramentos de todas as questões ao redor do mundo. Continuaremos a nos comunicar, como sempre fazemos, com os três governos anfitriões, como ocorre em qualquer circunstância. Todos estarão seguros”, disse Grafstrom, em assembleia anual da International Football Association Board (IFAB).

Segurança da Copa e possíveis sanções

A instabilidade no Oriente Médio pode desencadear novas medidas de segurança na Copa do Mundo. Embora seja difícil medir os impactos das ações militares em longo prazo, possíveis cenários podem se direcionar para a adoção de medidas cautelares mais rígidas.

Um dos principais pontos que reforçam essa possível necessidade é a resposta iraniana aos bombardeios de sábado. O governo de Teerã promoveu ataques contra bases norte-americanas no Oriente Médio, o que causou ainda mais preocupação para a comunidade global.

Outro ponto é uma provável pressão de representantes esportivos e federações por medidas cabíveis e punições da Fifa contra os EUA.

Ainda não foram anunciados boicotes ou sanções esportivas, mas a situação atual pode ocasionar em resposta ao conflito, algo que pode mudar caso a troca de hostilidades continue.