A possível redução da jornada de trabalho com o avanço do Projeto de Lei nº 1.838/2026, que prevê o fim da escala 6×1, pode gerar impactos bilionários para supermercados de São Paulo, especialmente no armazenamento de produtos refrigerados.
Um levantamento da NEO Estech aponta que as perdas anuais com falhas em sistemas de refrigeração podem chegar a R$ 1,2 bilhão no estado caso redes varejistas reduzam o horário de funcionamento sem ampliar o monitoramento técnico das operações.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei que propõe o fim da jornada de trabalho no modelo 6×1. No fim do ano passado, uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), foi apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), para a mudança na carga horária de trabalho. A PEC ganhou força nas redes sociais e angariou mais de 100 assinaturas na Câmara dos Deputados.
Segundo o estudo, o fechamento prolongado das lojas pode criar janelas de até 34 horas sem inspeção humana direta sobre equipamentos considerados críticos, como câmaras frias, climatização, geradores de energia e sistemas de refrigeração. O cenário preocupa especialmente diante da possibilidade de supermercados deixarem de funcionar aos domingos ou reduzirem o horário de atendimento.
De acordo com o CEO da empresa, Sami Diba, os equipamentos continuam operando mesmo com as lojas fechadas, o que amplia os riscos de falhas silenciosas. “Quando acontece alguma falha enquanto a loja está fechada, normalmente o problema só é percebido quando já virou prejuízo”, afirmou.
O executivo explica que pequenas oscilações de temperatura ou falhas intermitentes podem comprometer alimentos perecíveis sem gerar alertas imediatos. Além do prejuízo financeiro, o problema também pode afetar a reputação das redes varejistas por envolver riscos relacionados à segurança alimentar e à experiência do consumidor.
O levantamento considera supermercados com consumo médio de 100 mil kWh por mês e atacarejos com média de 250 mil kWh mensais. Segundo a empresa, atualmente já seria possível reduzir em cerca de 6% os custos de energia por meio de sistemas inteligentes de monitoramento e gestão energética, o que representaria uma economia anual de aproximadamente R$ 145 milhões no estado.
Perdas de mercadorias
Apesar disso, o estudo aponta que o aumento das perdas de mercadorias pode superar os ganhos operacionais caso não haja adaptação tecnológica ao novo modelo de jornada. Dados da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) indicam que as perdas de produtos já representam 1,87% do faturamento do setor, o equivalente a mais de R$ 6 bilhões em São Paulo.
Segundo Sami Diba, parte significativa dessas perdas está ligada a falhas em equipamentos de refrigeração. A estimativa da empresa é que o risco relacionado ao armazenamento de perecíveis possa dobrar com períodos maiores de lojas fechadas, elevando as perdas para cerca de R$ 1,2 bilhão anuais no futuro.
Para o executivo, a discussão sobre a redução da jornada de trabalho vai além da questão trabalhista e exige revisão da gestão operacional do varejo. “Sem processos adequados de monitoramento, protocolos de resposta rápida e visibilidade em tempo real sobre a infraestrutura crítica, a economia obtida com a redução do consumo de energia pode ser facilmente anulada por perdas mais severas”, afirmou.
Fundada em 2020, a NEO Estech atua com monitoramento e gestão de equipamentos por meio de inteligência de dados e afirma operar em seis países. A empresa atende redes varejistas como Carrefour, Atacadão, Assaí, Savegnago, Tauste e Confiança.





