‘Faz um Pix’: a frase que facilitou o comércio nacional e milhões de famílias

Ferramenta do Banco Central democratizou o acesso aos serviços financeiros e trouxe rapidez para quem precisa enviar e receber dinheiro

Lançado em novembro de 2020, o Pix rapidamente se tornou parte da rotina dos brasileiros, permitindo pagamentos e transferências instantâneas a qualquer hora do dia (Foto: Ilustração/IA/Gazeta de S. Paulo)

Poucas ferramentas financeiras provocaram uma transformação tão rápida nos hábitos dos brasileiros quanto o Pix.

Lançado pelo Banco Central em novembro de 2020, o sistema de pagamentos instantâneos revolucionou a forma de transferir dinheiro, pagar contas e realizar compras, tornando operações que antes levavam horas ou até dias praticamente instantâneas.


A facilidade de uso, a disponibilidade 24 horas por dia e a gratuidade para pessoas físicas impulsionaram uma adesão em massa.

Em poucos anos, o Pix passou a fazer parte da rotina de consumidores, pequenos empreendedores, grandes empresas e órgãos públicos, reduzindo a dependência do dinheiro em espécie e alterando o funcionamento do sistema financeiro nacional.

Projeto começou bem antes de 2020 

Embora tenha chegado ao público apenas em 2020, o desenvolvimento do Pix começou muitos anos antes.

As primeiras discussões sobre a criação de um sistema nacional de pagamentos instantâneos ganharam força em 2014, durante o governo de Dilma Rousseff, quando o Banco Central passou a estudar alternativas para modernizar a infraestrutura financeira brasileira e ampliar o acesso da população aos serviços digitais.

O projeto avançou de forma mais estruturada em 2018, com a criação de grupos técnicos, através da Portaria 97.909 do Banco Central, responsáveis por desenvolver as bases tecnológicas e regulatórias da plataforma, já no governo Temer.

Nos anos seguintes, foram definidos padrões de segurança, mecanismos de liquidação e regras de integração entre instituições financeiras.

Experiências internacionais ajudaram a moldar o sistema

O modelo brasileiro não surgiu do zero. Durante a fase de desenvolvimento, o Banco Central analisou experiências adotadas em outros países que já operavam sistemas de pagamentos instantâneos.

Entre as referências estudadas estavam o Faster Payments, do Reino Unido, e o UPI, da Índia, além de iniciativas implementadas em mercados como Austrália, Singapura e países da União Europeia.

O desafio era criar uma estrutura capaz de processar milhões de transações simultâneas com rapidez, segurança e baixo custo operacional.

Como o sistema caiu no gosto do povo 

A estreia oficial do Pix aconteceu em 16 de novembro de 2020. A aceitação foi imediata.

Pequenos comerciantes, profissionais autônomos, feirantes, prestadores de serviço e grandes redes varejistas passaram a adotar a ferramenta como alternativa aos meios tradicionais de pagamento.

A expansãoreduziu a utilização de TEDs, DOCs e dinheiro em espécie, além de ampliar a digitalização das transações financeiras em diferentes setores da economia.

Antes do Pix, transferências bancárias dependiam do horário de funcionamento das instituições financeiras e frequentemente envolviam cobrança de tarifas. O novo sistema eliminou essas barreiras e tornou as movimentações praticamente instantâneas.

No centro das atenções políticas e econômicas

O crescimento acelerado do Pix também levou a plataforma para ocentro de discussões políticas e econômicas.

Ao longo dos últimos anos, diferentes grupos políticos passaram a associar a criação da ferramenta a governos específicos. O deputado federal Eduardo Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, frequentemente associam, pelas redes sociais, a criação da ferramenta ao governo do pai.

Especialistas e técnicos do setor financeiro, porém, costumam destacar que o sistema foi desenvolvido pelo Banco Central ao longo de várias gestões, resultado de um processo institucional iniciado anos antes de sua implementação.

A relevância alcançada pelo Pix ultrapassou as fronteiras brasileiras e passou a chamar atenção de governos e empresas estrangeiras.

Pix chegou ao radar dos Estados Unidos

O alcance da plataforma foi citado recentemente em discussões comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

Em relatório divulgado nesta semana, após uma investigação comercial conduzida pelo governo americano, autoridades dos EUA afirmaram:

“O Brasil tem prejudicado injustamente as empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem seu campeão nacional, o Pix”.

A menção evidencia o peso conquistado pela ferramenta no mercado financeiro. Em menos de seis anos de operação, o Pix deixou de ser apenas uma inovação tecnológica para se consolidar como o principal meio de transferência de recursos do país, tornando-se referência internacional em pagamentos instantâneos e peça central da economia digital brasileira.