Nos anos 1970 e 1980, o mercado automobilístico brasileiro vivia sob um regime de importações fechadas. Para quem sonhava com um design arrojado e tecnologias de ponta, a solução não vinha da Europa, mas de Porto Alegre.
Ali nascia a Miura, uma fabricante de modelos “fora-de-série” que marcou época como o ápice do luxo e da esportividade nacional.
Começo ousado e promissor
A trajetória da Miura começou com a parceria entre Aldo Besson, empresário do setor de acessórios automotivos, e Itelmar Gobbi.
Inspirados pelo sucesso do Puma, eles decidiram criar um esportivo com carroceria em fibra de vidro e mecânica confiável.
O primeiro protótipo foi apresentado em 1977, chamando atenção imediata por itens como faróis escamoteáveis e ajuste elétrico de altura do volante.
O nome, emprestado de um dos modelos mais icônicos da italiana Lamborghini, já sinalizava a ambição da marca.
Carro brasileiro com TV e computador
Os primeiros modelos, como o Miura Sport, utilizavam o conhecido motor VW 1600 arrefecido a ar da Brasília, alcançando 160 km/h. No entanto, a marca não parou no tempo.
Nos anos 1980, a Miura passou a adotar motores refrigerados a água do Passat TS, trazendo mais desempenho e modernidade.
Outro destaque foi o modelo Saga, lançado em 1984, que elevou o patamar nacional ao oferecer itens surreais para a época, como TV embutida no painel, computador de bordo e até um frigobar.
Em 1987 surgiu o Miura X8, que surpreendeu o País com um sintetizador de voz que alertava o motorista sobre o estado do veículo, além de sensores crepusculares.
Na cotação atual o carro vale cerca de R$ 50 a 60 mil. Na época, era tido como um carro de valor elevado para justificar o luxo do automóvel.
Inovações pioneiras no Brasil
A Miura não era apenas “aparência”. A marca foi responsável por introduzir tecnologias que demorariam anos para se tornarem padrão na indústria nacional, como o Top Sport, em 1989, o primeiro carro nacional com freios ABS.
A montadora ainda apresentou outros destaques, sendo eles a injeção eletrônica e amortecedores com regulagem eletrônica, além de opção de câmbio automático, utilizando o sistema do Santana.
O fim de uma era
O sucesso da Miura começou a declinar no início da década de 1990, com a reabertura das importações.
Diante da concorrência de esportivos estrangeiros consolidados, o público de alto poder aquisitivo migrou para as marcas internacionais.
Em 1992, a produção foi encerrada. Ao longo de 15 anos de história, cerca de 3.500 unidades saíram da fábrica gaúcha, deixando um legado de ousadia e inovação que ainda hoje fascina colecionadores e entusiastas do antigomobilismo brasileiro.



