Risco de roubo de veículos em SP se concentra em anel de cidades no entorno da capital, aponta estudo; Itapecerica da Serra lidera ranking

Apesar de o Estado registrar o menor nível de ocorrências desde 2001, levantamento inédito revela disparidade geográfica; cidades do interior apresentam índices quase nulos

Taboão da Serra contará com R$ 10 milhões para recuperação da malha viária urbana

Itapecerica da Serra lidera ranking de risco em todo o estado de São Paulo / Divulgação

O Estado de São Paulo atingiu o menor patamar de roubos de veículos da série histórica recente. De janeiro a julho, a Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) contabilizou 9.951 ocorrências do tipo, quando o condutor é rendido sob ameaça, número muito distante dos 60.297 registros computados no mesmo período de 2014, aponta dados do “Crime Brasil” exclusivo à Gazeta. Entre setembro de 2025 e agosto de 2026, o total acumulado ficou em 19.184 casos.

Continua após a publicidade

Entretanto, o recuo geral de 40% nos roubos entre 2022 e 2025 contrasta com uma distribuição altamente desigual do risco. Ao cruzar o número de ocorrências com a frota total cadastrada na Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) nas 119 cidades paulistas com mais de 50 mil veículos, a análise revela que a probabilidade de ter um carro lecionado à mão armada não se concentra na capital, mas sim em uma área circular de municípios limítrofes.

O “anel do crime” de roubo de veículos e o papel das rodovias

Das 12 cidades com os maiores índices de roubo por frota do estado, 11 pertencem à Região Metropolitana de São Paulo, com exceção apenas de São Vicente, na Baixada Santista.

O topo da lista é ocupado por Itapecerica da Serra, com uma taxa de 30,9 roubos para cada 10 mil veículos, o que equivale a um carro roubado para cada 323 registrados na cidade. O indicador supera em quase seis vezes a média estadual (5,3 por 10 mil) e se mantém elevado mesmo após o município registrar redução de 36% nas ocorrências nos primeiros oito meses deste ano.

Continua após a publicidade

A geografia dos crimes aponta para a influência direta das grandes vias de acesso à capital:

  • Rodovia Régis Bittencourt (BR-116): corta Itapecerica da Serra e Embu das Artes (17,4); apenas no trecho de Itapecerica, a rodovia respondeu por 53 dos 317 roubos da cidade em 12 meses.
  • Corredor Ayrton Senna / Dutra: abrange os municípios de Itaquaquecetuba (25,4), Arujá (14,0), Poá (14,6) e Ferraz de Vasconcelos (15,0).
  • Eixo Castello Branco / Raposo Tavares: concentra as ocorrências de Itapevi (20,3) e Cotia (15,9).

Conforme a análise dos boletins de ocorrência, as rodovias facilitam rotas de fuga rápidas para os criminosos. Além disso, em municípios como Itapecerica da Serra, 60% dos crimes acontecem no período noturno (entre 18h e meia-noite), ante 49% da média do estado.

Carregando enquete…

Continua após a publicidade

O contraste com o interior e a diferença para o furto

No interior paulista, a incidência de assaltos a motoristas atinge patamares mínimos. Em Presidente Prudente, cidade com frota de 200 mil veículos, foram registrados apenas 3 roubos em 12 meses, gerando uma taxa de 0,15 por 10 mil — índice 200 vezes menor do que o apurado em Itapecerica da Serra. Votuporanga (0,20), Marília (0,25), Botucatu (0,32) e Indaiatuba (0,36) também figuram entre os locais mais seguros.

O estudo ressalta ainda a distinção entre roubo (subtração com rendição da vítima) e furto (subtração do veículo estacionado, sem presença do proprietário). Enquanto o roubo se afunila na mancha do entorno da capital, os furtos acompanham dinâmicas de adensamento urbano e volume de estacionamento em vias públicas, liderados por municípios como Osasco (49,5 furtos por 10 mil veículos), Santo André (47,9) e Mauá (47,5).