Cidade Limpa: Prefeito sofre pressões ao propor flexibilização na lei

De Olho No Poder: Os fatos da política de São Paulo na visão do jornalista Bruno Hoffmann

Ricardo Nunes

Ricardo Nunes | Marcelo Pereira/Secom

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) negocia com a Câmara Municipal de São Paulo uma nova flexibilização na Lei Cidade Limpa, para permitir que os ônibus da capital paulista passem a ter publicidade interna. Para isso, porém, o emedebista precisa superar um entrave, segundo uma fonte ouvida pela coluna. As duas concessionárias que venceram a licitação em 2013 para a exploração de publicidade em pontos de ônibus e relógios da cidade agora pressionam a gestão municipal a receber alguma contrapartida, já que deixariam de ter exclusividade em espaços públicos da Capital. Uma delas estuda a extensão do contrato com a prefeitura além dos 25 anos firmados inicialmente. Além disso, Nunes precisa equilibrar os pedidos feitos pelos vereadores. Adilson Amadeu (União Brasil), por exemplo, negocia com o prefeito para que a liberação se estenda aos táxis, algo que já conseguiu aprovar na Câmara em primeira votação.

Ameaças

Mais uma vez a vereadora Erika Hilton foi alvo de ameaças racistas e transfóbicas, ao receber e-mail de uma pessoa que dizia que ia matá-la, usando termos como “satanás do inferno”, “traveco nojento” e “preto filho da p*”. Ela é primeira mulher trans a assumir uma vaga na Câmara Municipal de São Paulo. Esta coluna conversou com um representante da assessoria jurídica da parlamentar, que contou que a vereadora decidiu usar a estratégia de não deixar nenhum episódio grave sem resposta judicial desde o início do mandato. “Neste caso, vamos acionar a polícia e o Ministério Público para que a pessoa seja responsabilizada. Sendo identificada, ela ainda será processada por danos morais”, explicou o advogado.

Sem liberdade

Em 26 de janeiro do ano passado um homem tentou invadir o gabinete de Erika Hilton na Câmara Municipal de São Paulo. Desde então, ela passou a ter a segurança reforçada por uma equipe da Guarda Civil Metropolitana (GCM), por determinação da presidência da Câmara. “A Erika sempre está escoltada. Ela tem que andar obrigatoriamente com o carro oficial. Nem se quisesse ela poderia se locomover de transporte público. Não pode nem sair para comprar um jornal sozinha. É uma situação muito grave”, lamentou o advogado, à coluna.

Mudança de partido

O deputado estadual Coronel Nishikawa deixou o PSL e acertou sua filiação ao PL nesta semana, mesma legenda do presidente Jair Bolsonaro. “Agradeço a todos os dirigentes dos outros partidos, mas fiz opção pelo PL”, afirmou o parlamentar. A tendência é que Coronel Nishikawa concorra a uma vaga para deputado federal nas eleições deste ano.

Bolsonaristas contra Arthur

Seis deputados estaduais bolsonaristas protocolaram uma representação contra o também deputado Arthur do Val (sem partido) no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O documento pede a cassação do mandato de Arthur pelas falas sexistas contra as refugiadas ucranianas. Os deputados também enviaram um ofício à ONU Mulheres Brasil pedindo apuração sobre o caso. Um dos parlamentares que assinam a representação, Danilo Balas (PSL) diz que os áudios de Arthur são “lamentáveis, machistas, repugnantes, além de ferirem o decoro parlamentar”.