As eleições municipais de 2020 entraram para a história como uma das mais atípicas dos últimos tempos. Com a pandemia de fundo, os candidatos tiveram que se reinventar durante a corrida eleitoral para conseguirem apresentar propostas e conquistarem votos nas ruas, de maneira segura.
Mesmo com tantas adaptações para que o pleito ocorresse da melhor maneira, alguns cenários já conhecidos voltaram a acontecer e prejudicaram o processo democrático.
Um deles foi a divulgação das famosas fake news, que desprestigiaram candidatos e confundiram eleitores.
O alto índice de abstenção prejudicou não apenas a disputa, mas os cidadãos que perderam a chance de escolher os seus representantes que decidirão o futuro dos municípios pelos próximos quatro anos.
Muitos fatores contribuíram para o número de pessoas que deixaram de votar e eles vão além da própria situação de pandemia. Entre eles, há o desinteresse pela política que foi agravado por outro problema que se repete em todas as eleições: as pesquisas eleitorais.
Mais uma vez, as pesquisas apresentaram os mais variados números de forma irresponsável e destoante da realidade. Como são replicadas por diversos meios, elas chegam até os eleitores que, desacreditados pelo possível resultado, optam por nem ir votar.
O que se vê, porém, é que são poucos os casos em que os números são acertados e que, se tivéssemos maior participação da população na votação, muitos resultados até poderiam ser diferentes.
Vamos aos fatos: O IBOPE divulgou, dias antes das eleições do segundo turno de domingo passado, diversas pesquisas eleitorais das capitais e o que se viu foi que em Porto Alegre (RS), a candidata do PCdoB, Manuela d’Ávila, estaria com 51% dos votos. Mas, ao final, o resultado mostrou que ela obteve 45% e ficou em segundo lugar.
O PT poderia levar duas prefeituras, em Recife (PE) e em Vitória (ES), pois seus candidatos estariam com 50% das intenções de voto. O resultado, porém, foi de derrota, com 41% de João Coser na cidade capixaba (9 pontos a menos) e 43% de Marilia Arraes na cidade pernambucana (7 pontos a menos).
Até mesmo quando acertou o vencedor do pleito, o IBOPE ficou distante da real porcentagem alcançada. Em Aracaju (SE), Edvaldo (PDT) venceu com 5 pontos a menos do que previsto pela pesquisa. Em Belém (PA), Edmilson Rodrigues (PSOL) foi eleito com menos 7 pontos do que apontado e, em Fortaleza (CE), o deputado estadual José Sarto (PDT), que estaria com 61% dos votos, foi eleito com 51% (10 a menos).
O que podemos observar com tantos números errados é que, além de todos os candidatos citados serem de partidos que seguem uma ideologia voltada para a esquerda, a irresponsabilidade de divulgar possíveis resultados às vésperas de eleições prejudica a democracia, influenciando nos votos dos que estão indecisos e desmotivando eleitores que enxergam um cenário já resolvido.
Devemos garantir que todos os pleitos ocorram da forma mais justa possível, sem manipulações de qualquer natureza. Atrapalhar as decisões dos cidadãos com pesquisas eleitorais apenas contribui para que menos pessoas votem e mais candidatos sejam eleitos sem o apoio real da maioria. É preciso mudar este cenário.
*Tenente Coimbra é natural de Santos/SP. Foi eleito deputado estadual com 24.109 votos pelo PSL
