Onde tudo começou

Existem viagens que a gente faz para conhecer um lugar; e existem aquelas que fazemos para conhecer um pouco mais de nós mesmos

Quando desembarquei em Funchal, na Ilha da Madeira, senti que essa seria diferente. Eu não estava apenas visitando um destino famoso de Portugal. Estava tentando encontrar as minhas próprias raízes. Foto: Arquivo pessoal

Existem viagens que a gente faz para conhecer um lugar. E existem aquelas que fazemos para conhecer um pouco mais de nós mesmos.

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Quando desembarquei em Funchal, na Ilha da Madeira, senti que essa seria diferente. Eu não estava apenas visitando um destino famoso de Portugal. Estava tentando encontrar as minhas próprias raízes.

A Madeira é um lugar que impressiona logo de cara. Montanhas que parecem mergulhar no Atlântico, jardins espalhados por toda a cidade, ruas limpas e um clima agradável durante praticamente o ano inteiro. Não é por acaso que a ilha se tornou um dos cartões-postais portugueses e um dos destinos mais visitados da Europa.

Além da beleza natural, ela também teve um papel importante na expansão marítima portuguesa, servindo como ponto estratégico para as grandes navegações e para o comércio entre continentes.

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Funchal, sua capital, mistura história e modernidade de um jeito muito especial. Caminhar pelo centro histórico é encontrar mercados cheios de frutas exóticas, peixes frescos, bordados tradicionais e restaurantes onde o peixe-espada-preto com banana e o famoso bolo do caco fazem qualquer visitante entender por que a gastronomia madeirense conquista tanta gente.

E quando chega o Réveillon, a cidade ganha outro espetáculo: a queima de fogos sobre a baía é conhecida mundialmente e transforma o céu em um verdadeiro show de luzes.

Mas, para mim, o ponto mais importante da viagem não estava em nenhum cartão-postal.

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Meu destino era a Igreja Matriz de São Martinho, um templo cuja origem remonta ao século XVI e que acompanhou o crescimento daquela região de Funchal ao longo de séculos. Foi ali que meu coração acelerou.

Existe uma grande possibilidade de que meu bisavô e meus tataravós tenham frequentado aquela igreja. Minha bisavó veio de Trás-os-Montes, fiquei imaginando como eles se conheceram já que eram de regiões tão distantes.

Entrei em silêncio. Observei cada detalhe da arquitetura, os altares, a luz entrando pelas janelas e tentei imaginar como era a vida ali há mais de cem anos. Quantas histórias aquelas paredes já testemunharam? Quantas famílias começaram justamente naquele espaço?

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Depois caminhei pelas ruas do bairro sem pressa. Pela primeira vez, não estava apenas conhecendo uma cidade. Estava percorrendo caminhos que, de alguma forma, ajudaram a construir a minha própria história.

Saí dali com uma certeza: viajar vai muito além de tirar fotografias bonitas. Às vezes, a maior descoberta não está diante dos nossos olhos, mas dentro de nós. E encontrar as próprias origens é, talvez, uma das viagens mais emocionantes que alguém pode fazer.