Os índices socioeconômicos do Brasil demonstram claramente uma situação assimétrica sem igual, sendo possível denominar que 2023 foi o ano dos extremos. No clima, está claro que o aquecimento global chegou aos lares e não vive somente nos artigos científicos, e já sabemos que as ondas de calor serão constantes.
Nos meios empresariais, tivemos o ano com a maior alta de ações judiciais na busca de recuperação financeira, as denominadas recuperações judiciais. Demonstrando que muitas empresas, de porte, estão com problemas graves. O varejo sofre com o mercado online, algumas empresas não se adaptaram ao novo normal. No outro lado do balcão, startups usando tecnologias nascem faturando milhões.
No topo da pirâmide, o mercado de luxo vive seu melhor momento. Uma presilha de cabelo, com custo acima de 3 salários-mínimos ou uma bolsa feminina de mais de 450 mil reais são valores dispensados pela cúpula milionária. Quer seja no glamour chamativo ou no“quiet luxury”, a aquisição de produtos de luxo aumentou em larga escala, conforme artigo de Camila Barros, na Revista S/A.
O mercado financeiro global sofre com os abalos das guerras na Europa, Oriente Médio e efeitos da pandemia, mas ações da Hermès (francesa) decolaram em mais de 32%, as da Ferrari saltaram para mais de 65%. Na base da pirâmide, longe de qualquer extremo consumo, o número de pobres no Brasil ainda navega na faixa dos 30% da população.
Na economia, a inflação está sob controle e com perspectiva de Selic a um dígito, mas os preços dos alimentos e serviços continuam altos. O que não falta é otimismo para 2024, pois o índice da Bolsa de Valores de São Paulo saiu dos 105 mil pontos, em janeiro deste ano, para cerca de 130 mil. Em meio a tanta contradição, é difícil predizer qualquer cenário futuro, exceto que teremos muitas ondas revoltas a serem transpostas e. ao mesmo tempo períodos de mansidão. Aguardemos.
