Há uma mudança em curso na América Latina. A polarização política ocupou várias nações, como El Salvador, Equador, Brasil e Argentina, mas, mesmo com a ascensão de governos de direita, não houve a criação de uma contenção eficiente para mitigar ou extirpar o crime organizado e o narcotráfico na região. Mega prisões foram erguidas, tanto no El Salvador como no Equador, todavia os equatorianos estão sofrendo com ocupações violentas preconizadas pelos narcotraficantes, o que proporcionou ao presidente Daniel Noboa a estabelecer e decretar estado de exceção em todo o país.
O México, nessa questão, alcançou a distopia. O problema é transnacional, as rotas do tráfico caminham por várias nações, tendo como endereço final o mercado consumidor norte-americano ou europeu. O Brasil tem parcela significativa nesse comércio ilegal. Segundo dados da Polícia Rodoviária de São Paulo, foram mais de 130 toneladas apreendidas em 2023. Números expressivos, que demonstram a importância de políticas públicas efetivas nessa área.
No âmbito nacional, Ricardo Lewandowski assume o Ministério da Justiça e Segurança – órgão responsável pela política nacional de segurança pública, tema que ocupará espaço na campanha eleitoral municipal. Como mote político, a segurança pública foi apropriada pela direita bolsonarista e pouco explorada pelo petismo. Nesse viés, o ex-ministro do STF terá grande desafio, pois deverá inovar e trazer soluções para esse problema nacional, e, simultaneamente, acenar para a esquerda e para os grupos de direitos humanos que, costumeiramente, se apresentam em momento de qualquer arrocho policial.
Para apimentar esse caldeirão, há um conflito na fronteira entre Guiana e Venezuela. Sobram ingredientes para desestabilizar a América Latina. Parodiando uma das excelentes frases do jornalista Caio Fernando de Abreu: “Os cabelos e pensamentos acordam bagunçados”. Em nosso caso, “a América Latina acordou bagunçada”.
