E quem está com a caneta na mão quase sempre começa na frente.
O apito final da derrota brasileira para a Noruega por 2 a 1 marcou mais do que a eliminação da Seleção Brasileira da Copa do Mundo. Como acontece em toda grande competição, o País mergulhou em debates sobre desempenho, planejamento, renovação e futuro.
A pergunta que muitos fazem agora é simples: o que precisa mudar para que o Brasil volte a disputar uma Copa do Mundo em condições reais de conquistar o título?
Mas existe uma outra pergunta que merece atenção semelhante: o que precisa mudar para que o Brasil chegue melhor aos próximos anos?
Enquanto o futebol ficará em segundo plano pelos próximos quatro anos, o país passa a viver um período em que as discussões políticas ganharão protagonismo. E não poderia ser diferente. As decisões tomadas nas urnas têm impacto direto na vida dos brasileiros muito antes de qualquer bola voltar a rolar em um Mundial.
A eleição que se aproxima terá peso significativo para o futuro nacional.
Os eleitores serão chamados a escolher o Presidente da República, os governadores dos estados, os deputados federais, os deputados estaduais e parte relevante do Senado Federal. Não se trata apenas da escolha de nomes, mas da definição de prioridades, projetos e visões de País.
No caso da Presidência da República, estará em discussão a condução da economia, a relação com o Congresso Nacional, a capacidade de articulação política e a definição das grandes diretrizes do governo federal.
Nos estados, os governadores serão responsáveis por áreas sensíveis como segurança pública, infraestrutura, mobilidade e gestão dos serviços essenciais.
Já o Poder Legislativo terá papel determinante na construção do ambiente político dos próximos anos. Deputados e senadores não apenas elaboram leis. Eles fiscalizam governos, influenciam agendas nacionais e ajudam a determinar o grau de estabilidade institucional necessário para a execução de políticas públicas.
O Senado merece atenção especial. Em um momento em que o país discute temas relacionados ao equilíbrio entre os Poderes, às reformas estruturais e ao funcionamento das instituições, a composição da Casa tende a ganhar relevância ainda maior no debate político.
Por isso, talvez a principal lição deste momento seja compreender que o futuro não é construído apenas por talentos individuais, seja no esporte ou na política. Ele depende de planejamento, liderança, escolhas e capacidade de execução.
Daqui a quatro anos, a Seleção Brasileira provavelmente contará com atletas mais experientes.
Jovens jogadores que hoje começam suas trajetórias chegarão mais preparados. O futebol seguirá seu ciclo natural de renovação.
O Brasil também passará por seu próprio processo de renovação. A diferença é que, no campo político, os resultados não dependem apenas daqueles que ocupam cargos públicos.
Dependem, sobretudo, das escolhas feitas pelos cidadãos.
A Copa do Mundo ficou para trás. Agora começa um período em que o país precisará decidir quais caminhos pretende seguir até o próximo grande encontro com sua própria história.
E, ao contrário do futebol, onde o torcedor apenas acompanha o resultado, na democracia cada cidadão participa diretamente da construção do placar final.
