Francisca Ribeiro Santos, ou simplesmente Fran, como todos a conhecem e a chamam com carinho. Uma mulher trabalhadora, doce, de fala mansa, que quase não aparece, e gosta de se manter discreta em sua elegância.
Fran divide a vida em capítulos, e destaca que o melhor de todos começou a ser escrito em 09/07/1997, quando seu filho, seu príncipe, Hugo Ribeiro Santos Camargo nasceu.
A vida com Hugo passou a ter outro significado. Não importava o quanto estivesse cansada após um dia inteiro de trabalho, ao chegar em casa e ver o sorriso e ouvir a voz do filho todo o cansaço desaparecia, e a noite se iluminava como se fosse dia. Seu coração transbordava de felicidade só de olhar para aquele rostinho lindo e encantador.
Mas a vida escreveu um novo capítulo em 02/10/2007, a partir desse capítulo a dor e a tristeza invadiram sua vida e nunca mais foram embora… Por volta de 18h desse dia, Hugo, então com pouco mais de 10 anos de idade, desapareceu da porta de sua casa onde, até instantes antes, jogava futebol com dois coleguinhas, como faziam todos os dias após retornarem da escola.
Depois de procurar pelo filho por todo o bairro, sem que ninguém tivesse nenhuma pista ou informação para acalmar seu coração, foi até a Delegacia, achando que a polícia iria ajudar a encontrar seu filho; mas para sua tristeza, se limitaram a registrar o Boletim de Ocorrência e a orientaram a voltar caso ela (!) tivesse alguma novidade sobre Hugo.
Fran retornou inúmeras vezes à delegacia, e em todas as vezes eram os investigadores que faziam a mesma pergunta: “Dona Francisca a senhora veio nos trazer alguma notícia, novidade sobre seu filho?”
Fran fala pouco, mas sempre com assertividade e força nas palavras, especialmente quando expressa sua mágoa em relação aos maus tratos vivenciados em delegacias e à indiferença e até crueldade com que já foi tratada por alguns agentes da Lei que, esperava, tivessem um mínimo de sensibilidade e respeito pelo seu sofrimento.
Essa mãe perdeu completamente a confiança em qualquer um que dissesse fazer parte da polícia. Em sua mente só existe um culpado do que aconteceu com seu filho: o Estado e seus governantes.
Para Fran, o último capítulo escrito de sua vida se prolonga há quase 20 anos, traduzido em dor, solidão, saudade e a fé e esperança de reencontrar o filho Hugo.
