Desaparecimento forçado: a extensão do problema no Brasil e no mundo

Segundo registros do Setor de Busca de Pessoas Desaparecidas do Comitê Internacional da Cruz Vermelha CICV, somente entre janeiro de 2024 a janeiro de 2025 estimam-se 284 mil pessoas desaparecidas no mundo

No Brasil já tivemos até novelas abordando o tema, ainda que lateralmente à trama principal, em mais de uma ocasião

Em geral, são poucos os desaparecimentos espontâneos, aqueles em que a pessoa tem a intenção de abandonar a vida que vive e a própria família | Divulgação/Governo do Estado

Segundo registros subestimados do Setor de Busca de Pessoas Desaparecidas do Comitê Internacional da Cruz Vermelha – CICV, somente entre janeiro de 2024 a janeiro de 2025 estimam-se 284.000 pessoas desaparecidas em todo o mundo, e em novembro deste ano foi realizada a 4ª Conferência Global organizada pelo CICV, reunindo 50 países e mais de 900 familiares, por meio de Hubs em diferentes regiões do mundo.

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Conflitos armados, perseguição política, rotas migratórias perigosas, tráfico de pessoas, crime organizado são apenas algumas das muitas razões pelas quais esses desaparecimentos ocorrem.

Em geral, são poucos os desaparecimentos espontâneos, aqueles em que a pessoa tem a intenção de abandonar a vida que vive e a própria família.

No Brasil, especificamente, casos assim são um número insignificante, considerando-se o universo daqueles que são “desaparecidos” contra a sua própria vontade (mais de 70 mil por ano, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. 

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Neste grupo, dos que desaparecem contra a própria vontade, temos milhares de crianças (em sua maior parte), jovens, adultos e idosos. Teriam sido sequestrados? Foram vítimas de violência urbana ou mesmo pela violência do Estado por seus agentes? Sofreram acidentes e estariam, talvez inconscientes, ou sofrendo de amnésia em algum hospital, ou instituição de tratamento? Os homens adultos estariam sob regime de trabalho escravo? As jovens estariam sendo obrigadas a se prostituir?

Estas são algumas das inúmeras perguntas e falsas pistas que pais e familiares, diariamente, se fazem ou seguem, cegamente – muitas vezes arriscando a própria vida na ânsia de encontrar seu familiar, adentrando em locais perigosos, dominados por facções criminosas, ou em matagais a procura de cemitérios clandestinos. 

A 4ª Conferência Global foi um momento de intercâmbio valioso de experiências sobre auto-organização de grupos familiares, de vivências de processos de busca, de marcos legais em países ao redor do mundo, que passaram a reconhecer a gravidade do problema, prevendo ferramentas que auxiliem a procura e plataformas de consolidação de dados oficiais, inclusive com coleta de material genético para identificação.

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Mas foi também, e principalmente, um momento de empatia e troca de motivação, estímulo e de recursos utilizados para lidar com um tema tão diferenciado e todos os problemas que dele decorrem, e de tão difícil compreensão pela sociedade em geral.

Por isso, nesse último encontro, as famílias fizeram um Chamado a Ação, lido em momento de transmissão aberta e publicado em vários idiomas.

E foi justamente inspirados no exemplo de outros países, que familiares e várias associações de mães do Brasil se reuniram e criaram o Movimento Nacional de Familiares de Pessoas Desaparecidas – FAMDES, que há um ano vem promovendo ações e ampliando o diálogo com autoridades.

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Mas, isso é tema para outra conversa…

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