Dezesseis anos buscando sem apoio das autoridades

As marcas do sofrimento pela busca ao longo desses 16 anos já se estabeleceram no rosto dessa mãe

Crysthyan Nunes Kokurudza tinha 21 anos quando desapareceu

Crysthyan Nunes Kokurudza tinha 21 anos quando desapareceu | Reprodução

Crysthyan Nunes Kokurudza tinha 21 anos quando desapareceu em 12 de janeiro de 2010.

Continua após a publicidade

Ele tinha ido fazer um orçamento de pintura no Bairro Sítio Cercado, e no retorno para casa, ainda dentro do ônibus Monte Castelo – Colombo, na região metropolitana de Curitiba, fez uma ligação do celular para casa para avisar que já estava voltando. Foi o último contato com a família.

Perto de 1h da madrugada a sua então companheira ligou para a mãe de Crysthyan, Rosângela, dizendo que ele não havia chegado em casa.

Imediatamente foram à Delegacia, onde o investigador de plantão disse que ele “devia estar por aí” e não fez a menor questão em registrar nada. Somente 72 horas após o desaparecimento foi que conseguiram fazer o Boletim de Ocorrência.

Continua após a publicidade

Foram a todos os lugares possíveis: IML, hospitais, divulgaram em rádios, jornal do bairro, e ainda hoje sua história é objeto de reportagens em diferentes emissoras de TV. Foi nessa maratona incessante de buscas que Rosângela conheceu várias mães com a mesma dor e começaram a se reunir e pedir ajuda às autoridades. Em vão.

Todas as pistas que obtinha levava para a Delegacia, que ainda hoje, não promoveu nenhuma investigação mais apurada. Sequer o Ministério Público atendeu às demandas dessa mãe, como de outras tantas em igual sofrimento.

Nem mesmo se unindo em uma Organização, a “Mães do Paraná”, essas incansáveis mulheres conseguem apoio das autoridades, e sequer lhes é permitida a realização de eventos ou reuniões em praças ou locais públicos, a exemplo das Mães da Sé em São Paulo.

Continua após a publicidade

Sem recursos para promover viagens ou encontros, dependem do engajamento de entidades privadas como times de futebol e da sociedade civil que lhes proporcionam um fugaz momento de visibilidade, para depois caírem novamente no esquecimento.

Rosângela desconfia dos motivos que possam ter causado o desaparecimento de seu filho, mas o medo a impede de falar publicamente. E mesmo levando pistas e suas suspeitas para a Polícia, as investigações não buscam apurar os elementos que lhes são levados, à muito custo, inclusive de risco pessoal, por essa mãe em desespero.

Nada justifica tanta omissão e desinteresse por parte das instituições criadas e das pessoas cuja profissão é promover o cuidado, a segurança e a integridade da população, em especial a mais carente e desprovida de recursos.

Continua após a publicidade

As marcas do sofrimento pela busca ao longo desses 16 anos já se estabeleceram no rosto dessa mãe que, inabalável, continua remando contra a maré do descaso e do desinteresse dos órgãos e agentes públicos.