Crysthyan Nunes Kokurudza tinha 21 anos quando desapareceu em 12 de janeiro de 2010.
Ele tinha ido fazer um orçamento de pintura no Bairro Sítio Cercado, e no retorno para casa, ainda dentro do ônibus Monte Castelo – Colombo, na região metropolitana de Curitiba, fez uma ligação do celular para casa para avisar que já estava voltando. Foi o último contato com a família.
Perto de 1h da madrugada a sua então companheira ligou para a mãe de Crysthyan, Rosângela, dizendo que ele não havia chegado em casa.
Imediatamente foram à Delegacia, onde o investigador de plantão disse que ele “devia estar por aí” e não fez a menor questão em registrar nada. Somente 72 horas após o desaparecimento foi que conseguiram fazer o Boletim de Ocorrência.
Foram a todos os lugares possíveis: IML, hospitais, divulgaram em rádios, jornal do bairro, e ainda hoje sua história é objeto de reportagens em diferentes emissoras de TV. Foi nessa maratona incessante de buscas que Rosângela conheceu várias mães com a mesma dor e começaram a se reunir e pedir ajuda às autoridades. Em vão.
Todas as pistas que obtinha levava para a Delegacia, que ainda hoje, não promoveu nenhuma investigação mais apurada. Sequer o Ministério Público atendeu às demandas dessa mãe, como de outras tantas em igual sofrimento.
Nem mesmo se unindo em uma Organização, a “Mães do Paraná”, essas incansáveis mulheres conseguem apoio das autoridades, e sequer lhes é permitida a realização de eventos ou reuniões em praças ou locais públicos, a exemplo das Mães da Sé em São Paulo.
Sem recursos para promover viagens ou encontros, dependem do engajamento de entidades privadas como times de futebol e da sociedade civil que lhes proporcionam um fugaz momento de visibilidade, para depois caírem novamente no esquecimento.
Rosângela desconfia dos motivos que possam ter causado o desaparecimento de seu filho, mas o medo a impede de falar publicamente. E mesmo levando pistas e suas suspeitas para a Polícia, as investigações não buscam apurar os elementos que lhes são levados, à muito custo, inclusive de risco pessoal, por essa mãe em desespero.
Nada justifica tanta omissão e desinteresse por parte das instituições criadas e das pessoas cuja profissão é promover o cuidado, a segurança e a integridade da população, em especial a mais carente e desprovida de recursos.
As marcas do sofrimento pela busca ao longo desses 16 anos já se estabeleceram no rosto dessa mãe que, inabalável, continua remando contra a maré do descaso e do desinteresse dos órgãos e agentes públicos.
