IA em 2026 não é a IA de 2023

Uso da IA avança no Brasil, mas diferença entre quem utiliza e quem domina a tecnologia ainda cresce

Imagem gerada por inteligência artificial

Há duas semanas, palestrei em um evento de educação no Nordeste. Sala cheia. Professor, diretor, dono de escola. Calor de 34 graus e gente com fome de futuro.

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Um dos palestrantes antes de mim disse, com muita convicção:

“IA só responde. IA não resolve problemas.”

A plateia aplaudiu. Frase forte, efeito garantido.

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Quando subi ao palco, resolvi fazer diferente. Em vez de argumentar com ele, mostrei.

Abri meu computador. E enquanto conversava com a plateia, fiz três coisas ao mesmo tempo.

Primeira: criei o site completo de uma das escolas que estava na sala. Do zero. Em minutos.

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Segunda: “organizei” (o Claude na real) minha caixa de email. Apaguei assinaturas velhas, escrevi rascunhos de respostas e listei minhas tarefas da semana.

Terceira: fiz uma pesquisa profunda sobre um tema difícil de sala de aula. O tipo de pesquisa que levaria horas na biblioteca.

Três problemas resolvidos. Ao vivo. Sem pedir uma única resposta.

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Colaboradores Infinitos

Presta atenção no que aconteceu ali.

Três problemas. Um cérebro. Três colaboradores invisíveis trabalhando em paralelo.

Eu chamo isso de Colaboradores Infinitos. É a ideia mais importante da próxima década.

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Cada pessoa vai deixar de ser um trabalhador solo. Vai virar um maestro de Agentes de IA. Orquestrando as mais variadas tarefas mesmo não sendo especialista em nenhuma delas.

O palestrante de antes falou em usar IA como substituto do Google. 

Eu mostrei como usar Agentes de IA como colaboradores. Lembre-se do titulo deste artigo: A IA de 2026 não é a IA de 2023!

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O Brasil na foto global

Depois da demonstração, fiz uma pesquisa rápida com a plateia.

“Quem aqui usa alguma IA?”

Noventa por cento levantou a mão. 

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“Quem paga por alguma IA?”

Vinte por cento. Um em cada cinco.

“Quem já usou o Claude?”

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Ninguém. Zero. Nenhuma mão no ar.

Guarde esse dado. Vou voltar nele no próximo texto.

Essa pesquisa caseira conversa diretamente com o novo Relatório do Índice de IA 2026, da Universidade de Stanford. O relatório mais importante do mundo sobre adoção de inteligência artificial.

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E ele traz dois pontos que mudam o jogo para o Brasil.

Ponto 1: a implosão da curva

Olha esse dado. Ele é quase inacreditável.

O rádio levou 38 anos para chegar a 50 milhões de pessoas. A televisão levou 13. O Facebook, 4. O ChatGPT levou 2 meses.

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Dois. MESES

Isso não é evolução. É uma implosão da curva.

E o mais importante do relatório de Stanford: os usuários estão tirando muito valor de ferramentas gratuitas.

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A plateia do Nordeste confirmou. Noventa por cento já usa. Quase todos sem pagar nada.
Mas essa é a armadilha.

Usar IA grátis é fácil. Usar IA bem é outra história. Lembrando, a IA de 2026 não é aquela que você conheceu em 2023!

A distância entre quem usa e quem domina cresce todo dia. E o Brasil está do lado errado dessa conta.

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Reprodução

Ponto 2: a escola ficou para trás

O relatório de Stanford é direto.

As escolas e as universidades não estão acompanhando a IA. Estão anos atrás. Não é crítica. É constatação.

Mas olha que interessante: as pessoas estão aprendendo mesmo assim. Em todas as idades. Pelo YouTube, por cursos, por tentativa e erro, conversando com amigos, nos grupos de WhatsApp.

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Esse é o dado mais importante do relatório inteiro.

Se você espera a faculdade te ensinar IA, você vai chegar tarde. Se você esperar seu chefe treinar o time, você vai ficar para trás. Se você espera seu filho adolescente virar professor da família, já perdeu dois anos.

A aprendizagem agora é sua. Só sua. Não existe mais desculpa, mas demanda disciplina.

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Reprodução

O que fazer ainda esta semana

Três movimentos práticos. Simples de entender, brutais de efeito.

Primeiro: pare de usar a IA como enciclopédia. Comece a usar como funcionário. Peça tarefas, não perguntas. Foi exatamente isso que fiz no palco.

Segundo: teste o Lovable. Escolha seu site preferido e peça para ele criar um clone. Isso vai abrir seus olhos sobre IA em 2026

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Terceiro: troque o ChatGPT gratuito pelo Claude pago por um mês! Dentro do Claude, use o Cowork. É um caminho sem volta!

Voltando ao palestrante

Ele não estava errado por maldade. Estava errado pela arquitetura mental.

Testou a IA como enciclopédia. E uma IA tratada como enciclopédia entrega só respostas. Tratada como colaboradora, ela trabalha.

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IA boa não responde. IA boa resolve.

Na próxima vez que você entrar numa sala — de aula, de reunião, de entrevista de emprego, de jantar em família —, você vai ser a pessoa que ensina IA aos outros ou a pessoa que precisa aprender com alguém dez anos mais novo?