No primeiro amistoso após a Copa do Mundo de 2022, realizada no Qatar, a seleção brasileira enfrentou o Marrocos, a sensação do último Mundial.
Sem treinador e sem organização tática, o Brasil saiu derrotado para o time mandante.
Se fora de campo foi uma surpresa, dentro de campo deu a lógica. A equipe semifinalista do torneio venceu uma equipe eliminada nas quartas de final. Saiu vencedor o país que foi capaz de eliminar um país europeu em Copas (no caso de Marrocos foram logo dois europeus nesta ultima edição – Espanha e Portugal).
Com jovens estreando com a amarelinha, como Andrey Santos e Vitor Roque, e com jogadores convocados com um ar de “chamar a torcida” para o lado da CBF – como Yuri Alberto e Rony -, a seleção mostrou uma desorganização em campo. Mesmo com mais volume de jogo e com mais poder ofensivo, o time não obrigou o goleiro marroquino a fazer grandes defesas. Pelo contrário: Bono pareceu totalmente perdido no gol, e ainda assim o Brasil marcou apenas uma vez, em gol que inclusive foi falha do goleiro africano.
Ramon Menezes foi criticado por alguns torcedores que acompanharam o Sul-Americano sub-20 que afirmavam ver essa mesma desorganização na equipe mais jovem, que por muitas vezes pareceu vencer “na sorte” ou na qualidade individual de algum jogador.
A atuação de Marrocos lembrou o desempenho na Copa: fortes, inteligentes, aplicados taticamente, e um jogo compacto, com ótimo coletivo, muito bem treinado, e embalado por sua torcida apaixonada.
A convocação, de forma geral, foi legal para o povo brasileiro e os jogadores terem uma rotatividade em quem veste a camisa do time nacional. Legal, mas não eficiente. Rony mostrou uma rotatividade bem abaixo, mostrando uma queda ao não ter Abel Ferreira na área técnica. Paquetá esteve muito mal em campo, Yuri Alberto entrou e mal tocou na bola.
Ausências
Os poucos que se salvaram foram Vini Jr e Casemiro. Martinelli foi uma ausência notável, a falta de um centroavante mais fixo de área, e as poucas opções de grandes laterais brasileiros também preocuparam.
Gostem ou não, Neymar muda o time. Sem ele em campo, apenas Vini tentava algo diferente para escapar da fortíssima defesa marroquina. Mesmo sendo criticado (na maioria das vezes pelo o que faz fora de campo, e raramente por de fato jogar mal), o camisa 10 é o craque, o maestro do Brasil. O pior de tudo é não sabermos sequer se Neymar jogará a próxima Copa, afinal dependerá de sua ambição, foco, e também do seu físico – que é muito criticado por não ser bem cuidado como o de Messi e Cristiano Ronaldo, críticas estas sim, muito justas.
Ausência do técnico que comandará o Brasil para a Copa de 2026 também foi outra falta importante. Que venha logo o novo professor (que aparentemente será Carlo Ancelotti, do Real Madrid), para mostrar essa organização tática e tentar fazer esse novo ciclo ser mais fácil de ser enfrentado. Na América do Sul a canarinho nunca passou grandes dificuldades, e mesmo com Ramon parece ser capaz de se classificar. Agora para enfim voltar a vencer potências europeias, esperemos que o notécnico – também europeu – ajude.
