A reviravolta da novela Corinthians impressiona a muitos, menos aos corintianos. Acostumados a ditarem o ritmo sobre a frase que “não é um time que tem uma torcida, mas uma torcida que tem um time”, mais uma vez os torcedores fizeram sua força valer por uma renovação que, até segundo o clube, já estava descartada.
Memphis Depay abraçou o projeto, a torcida e fez cobranças como um líder deve fazer. Talvez isso tenha atrapalhado sua permanência, além da parte financeira, que desde o início se mostrou consideravelmente alta. Contudo, ao reduzir grandes partes dos seus vencimentos, o holandês já havia deixado seu recado: ele queria ficar.
De forma bizarra e até vexatória, a diretoria corintiana recusou a oferta (feita por ela mesma) e, depois de anunciar publicamente a desistência da negociação, viu a pressão da torcida aumentar e mudou seu panorama: sem a torcida, o time não pode sonhar mais alto. Abaixou ainda mais a oferta e viu Memphis fazer o que já havia feito antes: aceitar os termos, algo que pouquíssimos (bem poucos mesmo) atletas que já se disseram torcedores dos clubes aceitaram.
Para o holandês, permanecer no Brasil, em um clube que a torcida o abraça e seus projetos sociais e musicais dão retorno, era vantajoso. Além disso, mesmo reduzindo muito seus vencimentos, dificilmente um clube grande de outro local faria uma oferta financeiramente tão próxima à que ele sonhava em ainda receber.
Permanência emblemática de Memphis Depay
Mesmo com três títulos no currículo, Memphis transformou uma negociação por renovação em seu maior feito pelo clube, se aproximando até de alguns dos que o criticavam.
O futebol é dinâmico e, dentro de campo, a história se conta de outra forma. Todavia, certamente, fora dele, o nome ficará guardado. Após ver ídolos saindo em fim de ciclo, como Cássio e Fagner, a torcida precisava de um símbolo que escolhesse ficar, e ele veio de Moordrecht, na Holanda, a pouco menos de 10 mil quilômetros de distância das terras paulistas.
De quebra, escancarou-se ainda mais a bagunça na diretoria, presidida por Osmar Stábile, que parece não saber o que faz para gerir o Corinthians, mas, ao mínimo, ter a ciência de que não se pode jogar contra a própria torcida.
Assim, é possível dizer: essa renovação lava a alma de uma Fiel Torcida que abraçou uma esperança, e um holandês improvável que a abraçou de volta.
