Heróis do asfalto

O que se viu na Capital foram os entregadores de apps se multiplicarem e se arriscarem nas ruas – e não só pelo perigo de contaminação pelo novo coronavírus

Entregadores durante protesto em São Paulo

Entregadores durante protesto em São Paulo | Joca Duarte/Photo Press/Folhapress

Quando citamos os profissionais na linha de frente do combate à pandemia nos vêm à mente enfermeiros e médicos. Porém, trabalhadores de outros setores essenciais também tiveram papel fundamental durante o período de maior isolamento social, como o de entrega. Durante o período de portas fechadas e pouca circulação na cidade de São Paulo, as ruas da metrópole foram dominadas pelos motoboys.

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Enquanto parcela da população pôde trabalhar de casa, para outra parcela trabalhar com entregas de moto ou de bicicleta era única opção para se sustentar. Sem uma grande porcentagem de veículos, o que se viu na Capital foram os entregadores de aplicativos se multiplicarem e se arriscarem nas ruas – e não só pelo perigo de contaminação pelo novo coronavírus.

Dados do mês de maio do Infosiga revelam que, embora os acidentes gerais de trânsito em São Paulo tenham diminuído durante a quarentena, as mortes envolvendo motociclistas subiram 38%.

Porém, não é somente o risco no trânsito que ameaça a categoria. Com a chegada dos aplicativos de entrega no País, pipocaram denúncias de precarização do trabalho. A ideia de trabalhar por conta própria, sem chefe, e poder fazer seu horário e salário se tornou uma “desculpa gourmet” para os entregadores não terem garantias e direitos como folga, atendimento médico ou férias remuneradas.

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Muitas cidades do mundo acreditaram que a relação, em vez de ser colaborativa, era de abuso por parte dos aplicativos que, em geral, são multinacionais bilionárias. E as greves e protestos se espalharam. Esta semana, sindicatos da categoria voltaram a protestar em São Paulo pela regulamentação do serviço e mais direitos. Segundo o Sindimoto-SP, existem 220 mil trabalhadores no setor e apenas 30 mil têm contrato de trabalho.

Dois projetos de lei tramitam na Câmara Municipal. Um deles será colocado em segunda votação esta semana e obriga os trabalhadores a se cadastrarem como microempreendedor individual, o que em tese, garantiria alguns direitos. Contudo, é preciso que as autoridades municipais também cobrem das empresas de aplicativo a responsabilidade sobre esses trabalhadores.

Trabalhar por contra própria pode ser muito importante, mas as empresas também precisam ter responsabilidade. Só com isso teremos uma relação mais saudável com os heróis que ajudaram a levar remédios e comida quente às casas de todos que precisaram.