Após um ano cheio de desafios, muitos deles inéditos para o mundo inteiro nos últimos 100 anos, o que fica de lição é que temos que melhorar, e muito, como sociedade. Apesar de vivemos sob a mesma terra, parece que cada indivíduo pensa e age somente para si.
E a inspiração para evoluirmos como sociedade deveria vir de cima. Com governantes que preferem lutar por suas verdades, mesmo em detrimento da coletividade, fica difícil exigir da sociedade que saiba qual caminho seguir. Não houve poucas vezes que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) apenas inflamou o povo, tanto detratores quanto simpatizantes, em vez de mostrar saídas minimamente aceitáveis durante uma pandemia que matou até o momento mais de 190 mil pessoas no Brasil. Já Doria tem um verniz mais polido, mas a sua propensão em puxar a corda que aprofunda a polarização é muito semelhante ao presidente da República.
Agora, estamos assistindo, tal qual um cãozinho que vê um frango delicioso na padaria, à União Europeia inteira e mais 48 países – entre eles os vizinhos de continente México, Costa Rica, Chile e Argentina – vacinando a população contra a Covid-19.
O que nos faz tão diferentes da Argentina e do Chile, que começaram a vacinar a população já neste momento? O primeiro tem presidente de esquerda recém-eleito, o segundo tem presidente de direita desgastado por protestos populares. Mas ambos souberam liderar a nação em busca da vacina o mais rápido possível. Não é hora de ficar assistindo às briguinhas políticas. O povo quer solução, quer poder sair na rua sem medo, quer poder trabalhar sem o risco de aprofundamento da pandemia e de suas consequências sociais e para a saúde.
Não há nada neste momento no mundo inteiro que seja mais aguardado do que a imunização da população contra o novo coronavírus. Não há outra prioridade a não ser retomar economia, empregos e cotidiano, e isso só é possível com um governo planejando a vacinação para o país inteiro. É um tanto constrangedor que disputa política, vaidade e egocentrismo façam com que os brasileiros sejam os últimos a voltar à rotina, ou o mais próximo dela, da pré-pandemia.
A solução para o Brasil é a sensatez. Enquanto estivermos sendo governados pela insanidade, vaidade e desatino vamos ficar para trás. A esperança para um novo ano que se inicia é que se tenha união e austeridade.
