Passados três meses do desabamento do Edifício Wilton Paes de Almeida, onde morava um grupo de sem-teto, a Prefeitura de São Paulo confirmou na segunda-feira, a interdição total de três prédios ocupados e a interdição parcial de outros dois. O Município identificou problemas em 51 imóveis vistoriados, mas ainda não tem solução definida para 27 deles.
Entre os problemas, as inspeções constataram que em 65% das ocupações as rotas de fuga em caso de incêndio estavam obstruídas. Sete de cada 10 ocupações não têm brigada de incêndio organizada. Em 82,3% dos casos, a rede de hidrante é inexistente ou está danificada e em 88,2,% dos imóveis a rede elétrica é irregular.
A prefeitura havia montado uma força-tarefa, envolvendo técnicos das áreas da habitação e da Defesa Civil, para avaliar a situação de outras ocupações da cidade após o incêndio. Os locais interditados não tinham, segundo o secretário de Habitação, Fernando Chucre, condições mínimas de sofrerem intervenções de curto prazo que evitassem o risco iminente de pegar fogo. Os demais tinham “possibilidade de, em curtíssimo prazo, você adotar medidas para instituir ferramentas para reduzir o risco”.
Os 51 imóveis vistoriados faziam parte de uma lista de 75 ocupações cadastradas previamente, mas 24 já estavam vazias. Em 16 imóveis, o proprietário é o poder público e a Prefeitura decidiu adotar medidas como a instalação de extintores de chamas e treinamentos de incêndio, enquanto uma solução definitiva não é adotada.
O Município identificou também que dez imóveis já têm reintegração de posse definida pela Justiça. E, nesses casos, o que será feito é enviar equipes de mediação de conflitos para garantir a desocupação. As famílias que ainda não estiverem inscritas vão para a fila da habitação da cidade, que tem mais de 110 mil famílias.
Todos os imóveis sem solução são privados e 25 deles têm cadastro na dívida ativa da cidade (que somam R$ 21,5 milhões).