Cristo Redentor centenário: cidade próxima da capital possui monumento mais antigo que o do Rio de Janeiro

Antiga capital de Sergipe preserva igrejas coloniais, doces centenários e uma praça reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco

No alto do Morro do São Gonçalo, Cristo Redentor de São Cristóvão completou o centenário em janeiro de 2026 (Foto: Paul R. Burley / Wikimedia Commons)

No alto do Morro do São Gonçalo, Cristo Redentor de São Cristóvão completou o centenário em janeiro de 2026 (Foto: Paul R. Burley / Wikimedia Commons)

Muito antes do Cristo Redentor do Rio de Janeiro abrir os braços sobre o Corcovado, outro Cristo já observava uma cidade histórica brasileira. No alto de um morro em São Cristóvão, em Sergipe, o monumento completou 100 anos em 2026.

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Mas ele é apenas uma das razões para visitar a cidade, localizada a cerca de 26 quilômetros da capital. Fundada em 1590, a antiga capital é considerada a quarta cidade mais antiga do Brasil e guarda construções que atravessaram invasões e séculos de transformações.

Uma cidade de fé

Construída entre 1924 e 1926, a imagem do Cristo Redentor se tornou um dos cartões-postais da cidade. Ele é uma das principais manifestações da fé sobre a cidade, mas não a única; algumas manifestações de fé locais são muito anteriores.

Fundada em 1746, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos se destaca como um dos pontos religiosos mais emblemáticos da cidade. Em uma época marcada pela segregação, a igreja servia aos negros alforriados, enquanto outros templos da cidade eram frequentados por diferentes grupos sociais. 

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Para além das construções, São Cristóvão possui grande apelo no turismo religioso, com eventos realizados todos os anos. Ao longo de suas ruas históricas são realizadas procissões e romarias que passam pelos diversos templos da fé.

Doces que contam história

A passagem dos séculos também marcou a culinária local. Uma das especialidades mais famosas é a queijada de São Cristóvão, receita de origem portuguesa que foi reinventada em Sergipe, principalmente com o uso do coco.

Outro produto possui uma origem ainda mais inesperada. O bricelet é um biscoito fino de tradição suíça que chegou à cidade por meio de religiosas e também acabou incorporado à gastronomia sancristovense. Em 2021, o prato recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial de Sergipe.

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Durante anos, a venda dos biscoitos também ajudou a manter o Orfanato Imaculada Conceição. O espaço passou a receber órfãs em 1911 e ficou sob responsabilidade das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição, atendendo também meninas de famílias pobres.

Depois do fechamento do orfanato, as freiras repassaram a receita e os equipamentos para funcionários antigos, entre eles Vera Gomes e Manoel Santos, que continuaram produzindo o biscoito e ajudaram a preservar a tradição local.

Reconstruída após a destruição

Quem observa a cidade atualmente, com seus casarões e prédios históricos, não imagina que a cidade teve que nascer de novo. São Cristóvão esteve no front dos conflitos entre holandeses e portugueses no século 17.

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Durante o auge das escamurças, a cidade foi ocupada pelas forças de Maurício de Nassau até ser retomada em 1645. Porém, a São Cristóvão recuperada não era mais como antes; ela havia sido incendiada em 1637 e a metrópole deixada acumulava ruínas e cinzas.

Ao longo dos séculos seguintes, a cidade passou por um lento processo de recuperação que foi marcado principalmente pelos templos religiosos. Segundo o Iphan, a arquitetura religiosa teve papel decisivo na nova configuração urbana surgida depois da destruição.

O principal exemplo dessa trajetória aparece na Praça São Francisco. Cercada por construções históricas e resultado da combinação das tradições urbanísticas portuguesa e espanhola, ela recebeu da Unesco o título de Patrimônio Mundial em 2010.