Secretário admite que servidores atuavam em OSS

Pela lei estadual, ninguém pode exercer simultaneamente a mesma atividade no serviço público e em empresas que tenham relações com o governo Da Reportagem De São Paulo

Em documento enviado à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga as Organizações Sociais de Saúde (OSSs) na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), o secretário estadual, Marco Antonio Zago, confirmou que dois servidores públicos da pasta ocupam cargos na direção da Santa Casa de Misericórdia de Assis, no interior.

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Pela lei estadual, ninguém pode exercer simultaneamente a mesma atividade no serviço público e em empresas que tenham relações com o governo. “De sorte, houve uma organização que informou ter dois servidores desta pasta compondo sua direção, fato que será devidamente apurado e encaminhado à Procuradoria Geral do Estado para análise de eventual prática de ilícito administrativo por parte do servidor”, diz o ofício.

Em nota, a Secretaria de Saúde afirmou que está prestando todas as informações solicitadas pela Alesp e apura “se há qualquer irregularidade quanto a relação da servidora citada com a OSS Santa Casa de Misericórdia de Assis. O outro servidor citado não possui vínculo com a pasta. A OSS informou que os dirigentes citados não são remunerados”.

As informações foram enviadas aos deputados paulistas, que desde abril investigam irregularidades nos contratos e convênios dos governos estadual e municipal com OSSs. O ofício é uma complementação dos dados enviados pela pasta à CPI após liminar dada a Justiça de São Paulo no dia 16 de agosto, determinando que as remunerações dos dirigentes dessas organizações fossem divulgadas.

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A divulgação é prevista na Lei de Acesso à Informação (LAI) e em determinação recente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP), mas, segundo os deputados, não é cumprida pelas OSSs. Ainda de acordo com os parlamentares, há denúncias de que dirigentes de OSSs receberiam remunerações superiores ao teto estadual, o que é ilegal.

Segundo a apuração da CPI, empresas de médicos funcionários públicos do estado são contratadas pelas OSSs para prestação de serviços. Em maio, relatório do TCE-SP apontou 23 irregularidades nesses contratos.