O governo de Cuba informou na última terça-feira, 14, que deixará de fazer parte do programa Mais Médicos. A justificativa do Ministério da Saúde cubano é que as exigências feitas pelo governo eleito são “inaceitáveis” e “violam” acordos anteriores.
O presidente eleito Jair Bolsonaro disse, na sua conta do Twitter, que a permanência dos cubanos está condicionada à realização do Revalida pelos profissionais, que é o exame aplicado aos médicos que se formam no exterior e querem atuar no Brasil. Bolsonaro afirmou que não pretende suspender o programa.
Na região, diversas cidades serão afetadas com a saída dos médicos cubanos do programa. Embu das Artes, Itapecerica da Serra e EmbuGuaçu serão os municípios mais prejudicados com a decisão. Taboão da Serra possui convênio com o Mais Médicos, mas nenhum dos oito profissionais que estão na cidade são cubanos.
Embu das Artes.
A situação mais delicada é de Embu das Artes. A cidade conta com 20 profissionais cubanos que atuam nas UBS no Programa de Saúde da Família. “Vamos perdê-los e ainda estamos estudando a forma de termos o menor impacto possível. Estamos preparando um Processo Seletivo emergencial, teremos que contratar no mínimo essa quantidade de médicos, de imediato”, diz José Alberto Tarifa, secretário de saúde de Embu das Artes.
A preocupação do secretário é que mesmo com um novo concurso aberto, o número de candidatos não seja o suficiente para preencher as vagas que serão deixadas em aberto com a saída dos médicos cubanos. “Nossa maior preocupação é não termos médicos em número suficiente que queiram trabalhar aqui”.
Itapecerica.
Outra cidade que irá enfrentar dificuldades com a saída dos médicos cubanos é Itapecerica da Serra. Dos 21 profissionais contratados pelo Mais Médicos, 19 são de Cuba e devem deixar o município nos próximos dias.
Para a superintendente da Autarquia de Saúde de Itapecerica da Serra, Michele Sales, pelo menos 10 unidades de saúde da cidade ficarão sem médicos intercambistas. “Fomos pegos de surpresa, na véspera de feriado. Conversei com o prefeito para tentar diminuir o impacto desses servidores para o município. Não temos verba para contratar uma OS [Organização de Saúde] ou abrir um novo concurso. Sabemos que os médicos que trabalham na nossa cidade não vão suprir esses que vão nos deixar”.
Michele Sales lembra que em 2013, quando a lei foi sancionada, “o objetivo era diminuir a carência de médicos nessas regiões prioritárias, e nossa cidade é prioritária. A chegada desses médicos foi um alívio, devido às nossa dificuldade de preencher as vagas existentes no município”, afirmou.
Taboão da Serra não deve enfrentar os mesmos problemas das cidades vizinhas. “Temos oito médicos contratados pelo Mais Médicos, mas nenhum deles é cubano, então nosso atendimento não será alterado por essa medida”, diz Dra. Raquel Zaicaner, secretária municipal de saúde.
Além das duas cidades, Embu-Guaçu, com 18 médicos atuando na cidade por meio do convênio também deverá ser bastante afetada.
O número de profissionais autorizados a atuar nas cidades da região está divididos da seguinte maneira: Juquitiba, cinco médicos; São Lourenço da Serra, dois médicos; Embu-Guaçu, 18 médicos; Itapecerica da Serra, 20 médicos; Embu das Artes, 21 médicos; e Taboão da Serra, nove médicos.