O Museu Paulista, conhecido como Museu do Ipiranga, em São Paulo, fechou as portas para visitação pública em agosto de 2013. A restauração da instituição administrada pela Universidade de São Paulo (USP) está em passos lentos desde então, principalmente por falta de recursos. O início das obras em si deve ser apenas em abril de 2019 e está prometido para ser entregue em 2022, nas comemorações do bicentenário da Independência do Brasil.
O edifício foi interditado pelo surgimento de rachaduras e umidade em sua estrutura. De forma emergencial, foram feitos escoramentos para garantir a segurança do ambiente. Logo depois, a USP começou um processo de desenvolvimento do projeto da reforma.
A previsão inicial de gastos para a realização das obras é de R$ 80 milhões a R$ 100 milhões, e são buscados patrocínios, principalmente na iniciativa privada. Os aportes mais recentes vieram da Petrobrás, Santander e IRB Brasil RE. Mas ainda falta muito.
“O desafio é obter os recursos para o financiamento da obra. A instituição já recebeu patrocínios diretos e por meio da Lei Rouanet, mas é necessário intensificar esse apoio para tornar possível o novo Museu do Ipiranga”, diz Solange Ferraz de Lima, diretora da instituição.
Não houve danos aos mais de 30 mil objetos expostos no local e outros milhares de documentos livros. A USP alugou sete imóveis para destinar o acervo e realocar os funcionários. As equipes permaneceram trabalhando em atividades de ensino, pesquisa, cultura e extensão.
“Além das atividades regulares, foram firmadas parcerias para exposições na Pinacoteca, Sesc Ipiranga e Palácio do Governo”, diz a diretora.
Em 7 de setembro de 2017, a USP lançou um concurso para escolher um escritório que seria responsável pelo desenvolvimento do projeto de restauro e modernização. A elaboração do projeto ainda está sendo realizado pelo escritório vencedor. As obras só devem iniciar ao fim dessa etapa, o que está previsto para abril de 2019.
MAIOR E MAIS MODERNO
A intenção da USP é que o museu seja entregue maior e mais moderno em 2022, conta Solange. “O edifício será ampliado em 4 mil m2. A nova área proporcionará a melhoria dos acessos e fluxos, acolhimento do público e novas facilidades como área de exposições temporárias de 1.000 m2, auditório, salas para ações educativas, café e loja”.
O Museu do Ipiranga, de arquitetura neoclássica, foi inaugurado em 1892 próximo de onde, em 7 de setembro de 1822, dom Pedro I proclamou a Independência do Brasil. Em seu acervo estão obras de alto valor histórico, como o quadro “Independência ou Morte”, de Pedro Américo, de 1888.
Esta reportagem faz parte de uma série especial da Gazeta sobre museus paulistas. Em novembro, este jornal publicou que o Museu da Língua Portuguesa, destruído em um incêndio em dezembro de 2015, só deve voltar a funcionar no segundo semestre de 2019. Já em outubro foi mostrada a situação do Museu das Monções, na cidade de Porto Feliz, que está fechado há oito anos e corre o risco de desabamento. Os dois são administrados pelo governo do Estado de São Paulo.