Com Estadão Conteúdo
O deputado federal reeleito Jean Wyllys (PSOL-RJ) avisou que está deixando o Brasil. Em entrevista para a “Folha de S. Paulo”, Wyllys afirmou que irá abrir mão do mandato conquistado nas eleições do ano passado devido a quantidade de ameaças que recebe. Desde o assassinato da vereadora Marielle Franco, Wyllys vive constantemente sob escolta policial.
“Me apavora saber que o filho do presidente contratou no seu gabinete a esposa e a mãe do sicário. O presidente que sempre me difamou, que sempre me insultou de maneira aberta, que sempre utilizou de homofobia contra mim. Esse ambiente não é seguro para mim”, disse.
Wyllys está fora do Brasil e afirma que não irá retornar. “Como é que eu vou viver quatro anos da minha vida dentro de um carro blindado e sob escolta?”, questionou à reportagem.
Jean Wyllys é o primeiro parlamentar declaradamente homossexual a defender as causas LGBT no Congresso Nacional.
O parlamentar se tornou um dos principais alvos de grupos conservadores, e costuma receber ofensas e até ameaças pelas redes sociais. Ele foi alvo de notícias falsas sobre apoiar a pedofilia, por exemplo, e ganhou processos na Justiça.
“A pena imposta, por exemplo, ao Alexandre Frota não repara o dano que ele produziu ao atribuir a mim um elogio da pedofilia. Eu vi minha reputação ser destruída por mentiras e eu, impotente, sem poder fazer nada. Isso se estendendo à minha família. As pessoas não têm ideia do que é ser alvo disso”, afirmou Wyllys.