Anatel deve alterar fiscalização e reduzir multas a empresas de telecomunicações

De acordo com o conselheiro da agência, a ideia é reduzir as sanções e definir prazos para que a empresa possa reparar os danos apontados antes de ser multada Por Folhapress De São Paulo

A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) estuda alterar sua forma de fiscalização às companhias de telecomunicações, com a adoção de mais medidas preventivas e reparatórias e menos aplicação de multas às empresas.

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“O modelo que temos adotado estabelece metas e imediatamente pune pelo não cumprimento dessas metas. Esse modelo resulta em muitas sanções, mas o clamor dos consumidores permanece inalterado”, afirmou o conselheiro da agência Aníbal Diniz, nesta quarta-feira (20), após audiência pública em São Paulo sobre o tema.

Agora a ideia é reduzir as sanções e definir prazos para que a empresa possa reparar os danos apontados antes de ser multada, o que deverá dar mais eficiência na correção das condutas, segundo ele.

“Pode ser uma repactuação setorial entre órgão regulador e empresas para a efetiva qualidade do serviço”, disse.

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Hoje, apenas 15% das multas aplicadas de fato se revertem em arrecadação, segundo Diniz. O motivo é que as companhias recorrem em todas as instâncias possíveis e, em grande parte dos casos, judicializam a questão.

Nessa nova regulação proposta, as companhias teriam descontos de 10% a 90% no pagamento das multas, a depender das ações tomadas pela empresa infratora para reparar os danos provocados aos usuários.

Há também uma previsão de classificação das infrações segundo seu grau de gravidade.

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Além disso, existiriam exigências para que as companhias compartilhem de forma mais transparente dados internos e permitam um maior acesso da agência a sistemas e instalações.

Na audiência, representantes das operadoras TIM e Claro se manifestaram positivamente em relação à proposta.

Entidades de defesa dos consumidores também presentes, como Proteste e Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor também destacaram a necessidade de rever a atual fiscalização e dar mais eficiência ao processo, mas fizeram objeções.

Uma das sugestões foi, além de criar atenuantes para dar descontos no valor da multa, definir agravantes que poderiam elevar o pagamento, como o não cumprimento de acordos, não pagamentos e reincidência de falhas.

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A nova regulação está em fase de audiências públicas, etapa que deverá se estender até 27 de março. Depois disso, há uma previsão de mais 90 dias para a formação de uma proposta final.