Edson Fachin dá 72 horas para André Mendonça se posicionar após pedido da AGU em suspender afastamento de Andrei Rodrigues

AGU questiona decisão monocrática de Mendonça em afastar Andrei Rodrigues da direção-geral da PF

O recurso apreciado por Fachin foi impetrado pela defesa de Lula contra decisão do ministro do STJ, Leopoldo de Arruda Raposo

Edson Fachin deu prazo para Mendonça / Rovena Rosa/Agência Brasil

Na noite desta terça-feira (8/9), o presidente do STF, ministro Edson Fachin, deu um prazo de 72 horas para que o também ministro André Mendonça se posicione sobre o pedido da AGU (Advocacia Geral da União) para suspender o afastamento de Andrei Rodrigues.

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A AGU contestou nesta terça a decisão monocrática de Mendonça. Na peça, assinada pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, o órgão sustenta que há “grave lesão à ordem pública e administrativa”.

A AGU argumenta que o afastamento cautelar viola frontalmente a prerrogativa constitucional privativa do Presidente da República para prover e desprover cargos de direção da Polícia Federal.

De acordo com a petição da AGU, a escolha, nomeação e livre exoneração do diretor-geral da Polícia Federal são prerrogativas exclusivas do chefe do Poder Executivo federal, no caso, o presidente Lula.

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Entenda o caso

O ministro André Mendonça, do STF (Superior Tribunal Federal) afastou na manhã desta terça o diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, de suas funções na corporação.

Mendonça justificou o afastamento pela produção de um relatório interno da PF que foi usado pelo ministro Alexandre de Moraes para pedir uma investigação contra ele por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso envolvendo o Banco Master e o INSS.

Poucos horas após o afastamento, Mendonça submeteu o caso à Segunda Turma do STF, que formou maioria para manter o afastamento de Andrei. Votaram a favor os ministros: Nunes Marques e Luiz Fux. Já o ministro Gilmar Mendes pediu vista e seu voto foi adiado.

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Relatórios motivaram crise

A crise na inteligência da PF ganhou força no início de setembro, após mensagens encontradas no celular do empresário Daniel Bueno Vorcaro mencionarem o nome “Andrei”.

Segundo a própria PF, a referência seria a Andrei Rodrigues.

O episódio se agravou depois que Alexandre de Moraes retirou o sigilo de seis relatórios de inteligência produzidos pela PF durante agosto.

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Para Mendonça, os documentos indicariam que ele e o advogado-geral da União, Jorge Messias, foram alvo de “monitoramento sistemático e de coleta dirigida” de informações.

O ministro comparou a estrutura à distopia “1984”, de George Orwell, e citou precedentes do Supremo contra o uso da inteligência estatal para monitorar ou catalogar autoridades e cidadãos.