Muito antes de deslizar uma fotografia para a direita significar interesse em alguém, milhares de cartas chegavam aos estúdios de televisão com fotos, nomes e histórias de pessoas procurando um relacionamento.
No começo dos anos 80, Mauro Pontes se tornou um dos rostos desse modelo. Ele apareceu no programa Namoro na TV, apresentado por Silvio Santos, ficou cerca de um ano e meio frequentando o programa e recebeu 3.100 cartas de mulheres interessadas.
Nenhuma delas, porém, foi escolhida diante das câmeras. O encontro que mudou sua vida aconteceu longe do estúdio, durante um Carnaval em Praia Grande, no litoral de São Paulo. A mulher que Mauro encontrou por acaso era justamente uma daquelas que escreveu para ele.
O rapaz das cartas
Em 1980, Mauro ainda era um jovem com um objetivo diferente de simplesmente encontrar uma namorada: queria entrar para a televisão. Ele enviou cartas tentando participar do Namoro na TV até conseguir chegar aos bastidores.
Ao conversar com a produção, contou uma história familiar que chamou a atenção de Silvio Santos. Mauro dizia querer se casar porque o pai havia abandonado a família quando ele ainda era criança e ele não queria repetir aquela trajetória.
Silvio transformou o participante em uma espécie de personagem recorrente. Mauro permaneceu aparecendo no programa por aproximadamente um ano e meio, período em que sua caixa de correspondências se tornou uma conta lotada de “matches”.

Quem assistia precisava pegar papel, escrever, colocar uma foto no envelope e esperar que a correspondência chegasse à produção. Mauro afirma que 3.100 mulheres fizeram isso.
Encontro fora da TV
A história tomou outro rumo em fevereiro de 1982. Mauro decidiu passar o Carnaval em Praia Grande, no litoral paulista, quando duas jovens que caminhavam pela avenida o reconheceram por causa da televisão.
Uma delas era Silvia.
Ela não apenas sabia quem ele era. Silvia contou que havia enviado uma das cartas para o programa porque queria conhecê-lo. Em vez de procurar o envelope entre milhares de correspondências, Mauro encontrou sua remetente caminhando pela cidade.
O interesse foi imediato. Ele a pediu em namoro naquele mesmo encontro. Quando voltou à produção, avisou que não queria mais participar das gravações, conhecendo outras pretendentes.
Havia apenas uma condição curiosa: a equipe pediu que Mauro encontrasse entre as correspondências a carta escrita por Silvia. Ele conseguiu localizá-la.
Casamento nas câmeras
Meses depois, em julho, os dois ficaram noivos. Mas até isso ganhou contornos de programa de auditório.
O pai de Silvia não queria que a filha aparecesse na televisão. Segundo Mauro, Silvio Santos encontrou uma solução: quando o relacionamento foi apresentado ao público, ela apareceu de costas para as câmeras.

Em 18 de dezembro de 1982, menos de um ano depois daquele encontro em Praia Grande, Mauro e Silvia se casaram. A cerimônia foi filmada e exibida na televisão, apesar da resistência inicial do pai da noiva.
Nem a lua de mel escapou do programa. No dia seguinte ao casamento, o casal interrompeu a viagem para participar de uma gravação, reunindo pares que haviam se formado naquele ano.
A relação atravessou as décadas. Mauro e Silvia construíram uma família com dois filhos e duas netas. Anos depois do primeiro programa, eles ainda retornaram à televisão para aparecer no Em Nome do Amor.
Uma carta ficou
O Namoro na TV surgiu na fase de expansão da carreira de Silvio Santos e atravessou os anos 80 como uma das atrações românticas ligadas ao seu dominical. Em página sobre a trajetória de Silvio Santos, o próprio SBT cita o programa entre os sucessos do período em que a emissora consolidava sua identidade.
Décadas depois, quase todas aquelas correspondências desapareceram. Mauro contou que Silvia se desfez das milhares de cartas recebidas durante sua passagem pela televisão.
Uma única carta foi preservada.
Justamente a dela.






