*Por Jeferson Marques
A idosa Maria Rita Ataíde da Silva, de 68 anos, morreu após dar entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Noroeste, em Santos, na noite do último dia 02 (sábado). Ao Diário do Litoral a família de Maria Rita disse que houve negligência no atendimento, já que ‘os profissionais da unidade não perceberam a gravidade do caso’, segundo eles.
“Minha mãe começou a sentir dores no estômago em casa, no período da tarde, mas não falou pra gente. Porém, essa dor foi aumentando e ela se queixou. Foi quando decidi levá-la até a UPA da Zona Noroeste, que é a mais próxima de onde moramos”, relata Sandra Ataíde da Silva (42), filha de Maria Rita.
Ainda segundo o relato de Sandra à reportagem, houve demora para fazer a ficha de atendimento. “Assim que chegamos falei que a dor no estômago da minha mãe tinha se espalhado para o peito e ficado mais intensa. Porém, pediram que eu aguardasse a vez dela na triagem”, explicou.
Sandra informou que, assim que foi chamada na triagem, os enfermeiros constaram que a pressão arterial de Maria Rita estava muito alta (20 por 11). Mas ao invés de encaminharem a paciente à emergência, pediram que ela fosse fazer a ficha para o atendimento médico.
“Chegamos na UPA por volta das 21h e minha mãe já estava passando muito mal. Sou técnica em enfermagem e tenho noção da gravidade de uma dor no peito que se espalha. Passamos pela triagem quase 30 minutos depois e a ficha só foi feita por volta das 21h40. Se na triagem já viram que a pressão dela estava muito alta, por que não levaram minha mãe direto pra emergência”?. indaga Sandra.
“Depois que fizemos a ficha colocaram a pulseira amarela no pulso da minha mãe, o que significa emergência. O médico só a chamou na sala por volta das 22h20 e ela teve uma convulsão na frente dele. Levaram ela pra sala de emergência, porém, ela não resistiu”, lamenta a filha.
Para Sandra, que acompanhou tudo o que aconteceu na UPA ao lado da mãe, faltou o entendimento necessário de que o caso era de uma urgência. “Uma pessoa idosa chega reclamando de dores no estômago e no peito, passando mal, e leva mais de uma hora pra passar por algum médico, mesmo a triagem tendo apontado pressão muito alta? Talvez se esse atendimento fosse feito mais rapidamente, minha mãe poderia estar viva”, finaliza.
Procurada, a Prefeituta de Santos – através da sua assessoria de imprensa – informou que a paciente deu entrada na UPA da Zona Noroeste às 21h37, sendo encaminhada ao atendimento de emergência às 22h20, onde teve uma parada cardiorrespiratória.
A nota ainda informa que todos os procedimentos de reversão do quadro foram realizados, mas que ela veio à óbito as 23h40.
Confira a nota na íntegra:
M.R. A- feminino- 69 anos. Moradora de São Vicente.
Deu entrada na UPAZNO dia 02/03 as 21:37hs. Acolhida na Classificação de Risco – cor amarela, relatou dores no peito há 7 horas. Encaminhada para sala de emergência as 22:20h em PCR (Parada Cardio Respiratória), realizadas todas as manobras para reversão do quadro, foi a óbito as 23:40h.