O ministro André Mendonça, do STF (Superior Tribunal Federal) afastou na manhã desta terça-feira (8/9) o diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, de suas funções na corporação.
Mendonça justificou o afastamento pela produção de um relatório interno da PF que foi usado pelo ministro Alexandre de Moraes para pedir uma investigação contra ele por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso envolvendo o Banco Master e o INSS.
Poucos horas após o afastamento, Mendonça submeteu o caso à Segunda Turma do STF, que formou maioria para manter o afastamento de Andrei. Votaram a favor os ministros: Nunes Marques e Luiz Fux. Já o ministro Gilmar Mendes pediu vista e seu voto foi adiado.
Relatórios motivaram crise
A crise na inteligência da PF ganhou força no início de setembro, após mensagens encontradas no celular do empresário Daniel Bueno Vorcaro mencionarem o nome “Andrei”.
Segundo a própria PF, a referência seria a Andrei Rodrigues.
O episódio se agravou depois que Alexandre de Moraes retirou o sigilo de seis relatórios de inteligência produzidos pela PF durante agosto.
Para Mendonça, os documentos indicariam que ele e o advogado-geral da União, Jorge Messias, foram alvo de “monitoramento sistemático e de coleta dirigida” de informações.
O ministro comparou a estrutura à distopia “1984”, de George Orwell, e citou precedentes do Supremo contra o uso da inteligência estatal para monitorar ou catalogar autoridades e cidadãos.
Desdobramentos do caso ao longo do dia
Na tarde desta terça, 11 diretores da PF colocaram seus cargos à disposição do diretor-geral substituto, William Murad. O anúncio foi feito por meio de um manifesto em que o grupo se posicionou publicamente em defesa da Rodrigues.
O texto diz que os dois [Andrei e Leandro Almada, diretor de Inteligência Policial da PF, que também foi afastado por Mendonça], foram alvo de “ataques injustificados” e sustenta que a PF deve ser preservada de “tentativas de usurpação de funções”.
“Da mesma forma como a Instituição Polícia Federal tem, em sua história e feitos, a razão de sólida admiração dos brasileiros, o Dr. Andrei também conta com um percurso profissional dedicado à defesa da PF, com atuação técnica, isenta e responsável”, diz parte da nota.
Assinam a nota pública:
- Dennis Cali – diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (DICOR/PF);
- Otavio Margonari Russo – diretor de Combate a Crimes Cibernéticos (DCIBER/PF);
- Fabrício Schommer Kerber -diretor de Polícia Administrativa (DPA/PF);
- Alexsander Castro de Oliveira – diretor de Proteção à Pessoa (DPP/PF);
- Ademir Dias Cardoso Júnior – diretor de Tecnologia da Informação e Inovação (DTI/PF);
- Felipe Tavares Seixas – diretor de Cooperação Internacional (DCI/PF);
- Helena de Rezende – diretora de Gestão de Pessoas (DGP/PF);
- Humberto Freire de Barros – diretor da Amazônia e Meio Ambiente (DAMAZ/PF)
- Roberto Reis Monteiro Neto – diretor Técnico-Científico (DITEC/PF);
- André Luis Lima Carmo – diretor de Administração e Logística (DLOG/PF);
- Christiane Correa Machado – diretora de Ensino da Academia Nacional de Polícia (DIREN-ANP/PF).
Quem assume a PF?
Com a saída de Rodrigues, a Polícia Federal será comandada por William Murad, que atuava como diretor-executivo da corporação, de forma interina.
Formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), Murad ingressou na Polícia Federal em 2002 e terminou em primeiro lugar no Curso de Formação Profissional da corporação.
Antes de assumir a diretoria-executiva, o segundo cargo mais importante da corporação, em janeiro de 2025, Murad serviu como adido da PF no Reino Unido entre 2021 e 2024 e foi diretor de Tecnologia da Informação e Inovação da instituição.
