Câmara de Ilhabela abre processo de cassação de prefeito por evento que não ocorreu

A prefeitura pagou mais de R$ 649 mil a uma empresa responsável pela organização de um evento denominado Paço do Samba. Ele deveria ter sido realizado em janeiro, mas não aconteceu Por Folhapress Do Litoral Norte

Após pouco mais de dois meses de investigação, uma comissão processante aberta na Câmara de Ilhabela emitiu relatório favorável à cassação do prefeito Márcio Tenório (MDB) pelo pagamento antecipado a uma empresa por um evento que teria sambistas como Dudu Nobre e Mart’nália, e que não ocorreu.

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O prefeito nega as irregularidades. Tenório deverá ser julgado nas próximas semanas pelos vereadores por improbidade administrativa.

A prefeitura pagou, de forma antecipada, R$ 649.994 a uma empresa responsável pela organização de um evento denominado Paço do Samba. Ele deveria ter sido realizado nos dias 26 e 27 de janeiro, mas não aconteceu, segundo o advogado Pedro Ernesto Silva Prudêncio, autor da denúncia.

Entre os artistas que iriam se apresentar estavam Leci Brandão, Dudu Nobre, Velha Guarda da Portela, Hamilton Holanda e Mart’nália, entre outros. A Five Eventos Eireli Ltda seria a responsável pela contratação dos artistas.

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Ainda segundo Prudêncio, do valor total pago antecipadamente ao menos R$ 376 mil seriam destinados à divulgação do evento, que também não teria ocorrido. A comissão processante foi aberta em 19 de fevereiro com o aval de seis dos nove vereadores.

Na última sexta-feira (3), dois dos três membros da comissão votaram favoravelmente à cassação do mandato. A data do julgamento, que tem prazo final para ocorrer até dia 18 de maio, deverá ser agendada nesta semana.

O prefeito nega as acusações. Segundo ele, os valores foram devolvidos pela empresa Five Eventos e, por esse motivo, não haveria necessidade da abertura da comissão processante. “Não houve dano e ilegalidade, então não há o que se apurar. Portanto, a continuação da CPI e essa tentativa de cassação são políticas”, disse Tenório, por meio de sua assessoria.

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O presidente da comissão, Anísio Antônio de Oliveira Filho (DEM), vice-presidente da Câmara, disse que o fato de a empresa ter devolvido os valores não exime o prefeito de ter cometido irregularidades na contratação.

“O prefeito acha que a investigação é política, é o posicionamento dele, mas não foi esse o pensamento da maioria dos vereadores”, disse. Prudêncio afirmou na denúncia que a empresa teria contratado uma laranja para figurar como proprietária apenas três meses antes da assinatura do contrato e que não teria bens para garantir eventuais prejuízos, já que a nova proprietária era beneficiária do programa Bolsa Família.

Na alteração cadastral em que houve a mudança de proprietárias, a empresa teria deixado seu endereço em Taboão da Serra para se fixar em Ilhabela. Ainda segundo o advogado, a nova dona nunca teria frequentado Ilhabela e o contrato teria sido assinado por um procurador, residente no arquipélago. De acordo com o presidente da comissão processante, a empresa não foi investigada, pois não se trata de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito). “Mas foi averiguado que a empresa nunca realizou eventos desta magnitude e não possui know-how na área.”

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CPI

Além do episódio envolvendo a contratação que resultou na comissão processante, o prefeito é investigado em uma CPI instaurada na última terça-feira (30) por suspeita de superfaturamento no pagamento de cachês a humoristas.

O caso veio à tona após o humorista Maloka ter postado um vídeo em redes sociais se queixando dos valores cobrados por uma porção de camarão na praia. Um morador de Ilhabela refutou a postagem, dizendo que o cachê do humorista era de R$ 12 mil, que seria pago pela prefeitura por sua apresentação e que, por este motivo, tinha condições de pagar pelo camarão. O humorista negou e disse que o valor acordado era de R$ 1,7 mil por 15 minutos de apresentação. O caso chegou à Câmara, que abriu apuração.