Seguranças agridem rapaz negro em estação do metrô de SP

O vendedor ambulante foi agredido com chutes e socos por dois seguranças da estação Vila Madalena, na zona oeste da capital Por Folhapress De São Paulo

A passagem do defensor público D.B., 36, pela linha 2-verde do Metrô paulista foi interrompida no fim da tarde desta quarta-feira (22). A do vendedor ambulante I.L.C., 33, também havia sido, mas a chute e soco, por dois seguranças da estação Vila Madalena, na zona oeste da capital.

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D. diz ter visto a hora em que os agentes avançaram. “Eles encurralam o rapaz negro num canto e deram um murro muito forte no abdômen dele, que caiu. Depois, deram um chute na perna”, conta.

O vendedor afirma ter ouvido um “levanta aí, pretão” antes do soco na boca do estômago. “Eu perdi o ar”, diz. O defensor interveio. “Eu não podia fingir que não estava vendo.” Ele conta que os seguranças então começaram a gritar, o intimidando e ameaçando. “Eles diziam: ‘vai falar o que pra polícia?’, simulando uma arma com a mão.”

Continuaram por quase duas horas, até a chegada do supervisor dos agentes, que se recusou a fazer um registro interno da agressão. Segundo D., o funcionário desencorajou qualquer tipo de denúncia e tachou o vendedor de “pedinte, mendigo, criminoso”. “Na minha leitura é um caso claro de racismo”, diz o defensor público, que atua com casos de violação de direitos humanos.

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“Ele me chamou de preto e ladrão umas três vezes. Tenho orgulho da minha cor, mas me senti constrangido”, afirma o vendedor.

Na delegacia, os seguranças A. de A., 41, e F.C., 31, negaram as acusações. O primeiro justificou a abordagem alegando que I. seria “olheiro” de ambulantes que vendem mercadoria no sistema metroviário e que teria ficado agressivo quando viu os agentes. Já o segundo afirmou que eles estavam atrás de uma quadrilha que trabalha com venda ilegal de bilhetes e que o rapaz seria um deles.

I. diz que vende água. Não dentro da plataforma ou dos trens, mas sim a uma quadra da estação, onde ele vai ao longo do dia para usar ao banheiro e carregar o celular. No momento da agressão, estava ao lado da tomada e seu aparelho acabou quebrado.

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“Faz sete anos que trabalho naquele bairro, todo mundo me conhece”, diz a vítima. Nada de ilícito foi apreendido com o vendedor, que não tem passagem pela polícia.

O caso foi registrado como lesão corporal, abuso de autoridade e ameaça na Delegacia do Metropolitano (Delpom). Segundo o delegado Marcus Vinicius Reis, a suposta injúria racial será apurada com outras duas testemunhas que viram as agressões, mas ainda não prestaram depoimento.

Procurado, o Metrô afirmou que repudia qualquer tipo de agressão e que o comportamento não faz parte dos valores nem do treinamento dado a seus empregados. Também informou que está apurando internamente o caso, mas não disse se os funcionários foram afastados.