Após rebater Renan com o aviso de que ‘cadela não trai’, Wilson Grassi propõe duas moedas e plano do botox

Em entrevista à Gazeta, candidato do Democratas criticou comparação feita pelo adversário e apresentou ideias como o 'Meu Botox, Minha Vida' e duas moedas nacionais

Wilson Grassi /Yasmin Martildes/Gazeta de S. Paulo

Wilson Grassi /Yasmin Martildes/Gazeta de S. Paulo

O candidato à Presidência da República Wilson Grassi (Democratas) não poupou críticas a Renan Santos durante entrevista exclusiva à Gazeta no último dia 24.

Continua após a publicidade

Veterinário e defensor da causa animal, Grassi se mostrou indignado com uma declaração do adversário nas redes sociais e afirmou que a comparação feita por Santos teria ofendido os próprios cachorros.

O episódio envolveu uma fala de Renan na qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro foram comparados a cadelas.

Para Grassi, a analogia não faz sentido e revela desconhecimento sobre o comportamento dos animais.

Continua após a publicidade

Eu briguei com o Renan nas redes sociais hoje porque ele comparou o Lula e o Flávio Bolsonaro a cadelas. Eu fiquei indignado quando vi isso. Como assim comparar com cadela? Desde quando cadela trai, engana os outros ou passa a perna em alguém?

Grassi ainda afirmou que a declaração demonstraria falta de convivência com cães.

Esse rapaz provou que nunca teve uma cadela na vida. Uma cadelinha vem para você para dar ou ganhar carinho, ou as duas coisas. Ele provou que não conhece cachorro direito e ainda ofendeu os animais.

A entrevista faz parte do programa jornalístico De Olho no Poder, conduzido pelo jornalista Matheus Herbert e pela colunista Micarla Lins.

Grassi critica proposta de ‘banho de sangue

A segurança pública também esteve entre os principais assuntos da entrevista.

Continua após a publicidade

Grassi criticou a proposta de Renan Santos de promover um “banho de sangue” nas comunidades como estratégia de combate ao crime organizado.

Para o candidato, a medida aumentaria o problema em vez de solucioná-lo.

A violência só traz mais violência. A violência gera uma reação incontrolável depois, e nós temos que fazer exatamente o contrário. Não é mais violência, é menos violência.

Grassi também relacionou o combate à criminalidade à redução da pobreza.

Continua após a publicidade

Segundo ele, pessoas em situação de vulnerabilidade ficam mais suscetíveis ao recrutamento pelo crime.

Por que existe tanta criminalidade no Brasil? Porque tem muito pobre no Brasil. A pessoa pobre fica sujeita a humilhações e falta de comida, tornando-se um soldado disponível para o crime. O X da questão para melhorar a segurança não é o combate direto à criminalidade, é o combate à pobreza. Quando a pessoa estiver bem de vida, o crime vai derreter.

Entre as ideias apresentadas pelo candidato está ainda a soltura de presos que cometeram crimes sem violência, como pequenos furtos ou posse de maconha.

A proposta prevê, segundo Grassi, a oferta de escolas em período integral e medidas de reinserção social.

Continua após a publicidade

‘Meu Botox, Minha Vida’ mira autoestima das mulheres

Outra proposta apresentada por Grassi durante a entrevista foi o “Meu Botox, Minha Vida”.

Apesar do nome associado a um procedimento estético, o candidato afirma que o projeto teria como foco a autoestima e a saúde emocional das mulheres.

O ‘Meu Botox, Minha Vida’ não é uma injeção contra rugas, é uma injeção para a autoestima da mulher. Autoestima significa saúde emocional, segurança e acreditar em si mesma. Uma mulher segura de si não aceita relação tóxica, livra-se de parceiros abusivos e prospera no emprego porque confia em sua capacidade.

Imposto único e duas moedas estão entre as propostas

Na economia, Grassi defendeu a criação de um imposto único federal, com uma alíquota reduzida.

Continua após a publicidade

A proposta, segundo ele, teria como objetivo simplificar o sistema e diminuir a sonegação.

Eu odeio imposto, a começar pelo nome, que remete à imposição e à falta de liberdade. O governo cobrando 35% de tudo o que o brasileiro produz torna nossa economia pesada. Nossa proposta é um imposto único, muito pequeno. Se for justo, todos terão orgulho de pagar, a sonegação diminui e a economia entra em um círculo virtuoso.

O candidato também apresentou uma proposta para lidar com a polarização política: a criação de duas moedas nacionais, uma vermelha, associada à esquerda, e outra amarela, ligada à direita.

No modelo apresentado por Grassi, a moeda vermelha permitiria políticas como aposentadoria aos 50 anos, jornada de trabalho reduzida e mais auxílios estatais, com taxação de até 80% da renda.

Continua após a publicidade

Já a moeda amarela teria imposto mínimo e Estado mínimo, mas não daria acesso a serviços públicos como o SUS, universidades federais e aposentadoria estatal.

Deixamos o Lula mandar na moeda vermelha e o Bolsonaro mandar na moeda amarela. Cada um vive o seu sonho. Se a pessoa achar que a moeda vizinha está gerando mais prosperidade, ela tem a liberdade de migrar.

Casa, carro e viagem ao exterior

Ao ser questionado sobre qual resultado gostaria de apresentar ao fim de um eventual mandato, Grassi estabeleceu três critérios relacionados ao padrão de vida dos brasileiros.

Quando eu terminar o meu governo, quero que o brasileiro more numa casa boa, dirija um carro bom e viaje uma vez por ano para o exterior. Viajar abre a mente e permite ver como outros países se organizaram. Podem me cobrar exatamente isso.

Quem é Wilson Grassi Junior

Natural de São Paulo, Wilson Grassi Junior tem 56 anos e é médico-veterinário, empresário, escritor e cantor.

Continua após a publicidade

Ele atua na política desde 2006, quando disputou uma vaga de deputado estadual em São Paulo pelo então PFL.

Também concorreu a deputado federal em 2022 e a vereador da capital paulista em 2024.

Na área profissional, Grassi tem trajetória ligada à medicina veterinária e à defesa da causa animal.

Continua após a publicidade

Também participou de entidades do setor e esteve envolvido na implantação e gestão do hospital veterinário público do Tatuapé, na zona leste de São Paulo.

Em 2026, disputa a Presidência da República pelo partido Democrata, tendo Suêd Haidar como candidata a vice-presidente.