O design sempre foi um ponto alto do Fiat Toro produzido na fábrica da cidade pernambucana de Goiana e o “powertrain” da picape ainda é o mais atual da marca no país, as mudanças da linha 2020 da Toro são pontuais. Externamente, com o acréscimo do overbumper no parachoque, que se integra ao desenho frontal, a picape da Fiat preserva as linhas contemporâneas e elegantes. Na caçamba, na qual cabem 850 litros de bagagem, um detalhe facilita a utilização: o acesso continua a ser dividido em duas portas, que se abrem em par.
Foram incluídas novas versões de entrada Endurance – uma flex com câmbio manual ou automático de 6 marchas e uma a diesel com transmissão automática de 9 velocidades. Com preços que partem de R$ 92.990 na 1.8 Flex com câmbio manual de 5 velocidades, passam por R$ 98.990 na versão com o mesmo motor e câmbio automático de 6 marchas e atingem R$ 129.990 na 2.0 Diesel 4×4 com câmbio automático de 9 velocidades, as configurações Endurance visam “roubar” público das topo de linha das picapes compactas.
As Toro Freedom Flex e Diesel trarão ao Brasil o conceito italiano S-Design – o S vem de “shadow”, que significa sombra em inglês. Por fora, faixas adesivas no capô e na tampa traseira da caçamba, identificação da versão e motorização escurecidos, assim como emblemas e badges, criam uma nova identidade visual. Para completar, as rodas também têm pintura escurecida, assim como o interior. Ela vem com forrações especiais nos bancos, em tecido e couro, e volante e laterais de porta em couro com costura preta. Há um tom específico de preto para a moldura da central multimídia, as saídas de ar, as alças das portas e aros dos alto-falantes. O kit conta com apóia-braço central traseiro com porta-copos.
A família Toro receberá no final de 2019 mais um integrante: a nova versão Ultra com dynamic cover, uma inusitada tampa rígida para a caçamba, de série. A tampa é removível, o que facilita carregar a caçamba com objetos maiores que sua capacidade quando fechada. Equipada com motor 2.0 Diesel, 4×4 e câmbio automático de 9 marchas, segundo a Fiat, a Toro Ultra entregará melhor proteção do conteúdo colocado na caçamba e melhor vedação contra infiltração de água.
O interior da Toro é bem resolvido, com materiais que não transmitem qualquer requinte, porém, aparentam boa qualidade. Em alguns detalhes, lembra a cabine do Jeep Renegade. Nas novas versões Endurance, os ajustes dos espelhos externos não são elétricos e devem ser feitos por meio de pequenas hastes nas portas. Já as configurações “top”, como a Volcano e a Ranch, o requinte é compatível com os SUVs do mesmo porte.
A principal novidade interna da linha 2020 da Toro é a central multimídia – é de série em toda linha, exceto nas versões Endurance, nas quais aparece como opcional. Ela cresceu 40% e traz tela tátil (“touchscreen”) de 7 polegadas no painel central. Com alta definição de 800×480 pixels, o sistema funciona com o novíssimo Android 8.0 e uma CPU de 800 MHz. Com memória interna de 4 GB, trabalha com memória RAM de 1GB. A interface com o usuário é simples e intuitiva, facilitada pelos comandos no volante. Com entradas USB e auxiliar, além de conexão Bluetooth, o sistema multimídia traz GPS e mapas da TomTom. A tela da central mostra imagens da câmera de ré, auxiliando em manobras e estacionamento.
Múltiplas personalidades
O teste de apresentação da Toro 2020 ofereceu uma rara oportunidade de dirigir diversas conigurações da picape no mesmo circuito. São quatro versões de acabamento – Endurance, Freedom, Volcano e Ranch – com três opções de motores – bicombustível 1.8 e 2.4 e turbodiesel 2.0 – combinados com três diferentes câmbios: manual de 5 marchas, automáticos de 6 e de 9 velocidades, com trações 4×2 ou 4×4. No total, são dez conigurações disponíveis para a Toro. No teste, foi possível perceber que as combinações de “powertrain” e os acabamentos conferem diferentes personalidades à picape.
As conigurações com motor flex, como a Endurance 1.8 Flex MT5, são as menos rumorosas, trepidam menos e conferem um rodar mais suave e mais assemelhado ao dos carros de passeio. O câmbio manual de 5 marchas tem bons engates e ajuda a dar ao veículo uma sensação de leveza. Já nas conigurações 2.0 Diesel, a Toro parece mais pesada. Com o barulho e a vibração característicos dos motores a diesel, o destaque é o torque elevado, gerando uma agradável sensação de que jamais faltará força para transpor os eventuais obstáculos do caminho. A tração integral cumpre a função de tornar o carro apto para o off-road, seja para o trabalho ou para o lazer. Em movimento, o 2.0 turbodiesel, com seus 170 cavalos, move a picape com autoridade. O eficiente câmbio automático de 9 marchas tem trocas suaves e rentabiliza bem o trabalho do motor.
Em todas as conigurações, a estabilidade se aproxima bastante à de um sedã. As rolagens de carroceria quase não aparecem. As suspensões MacPherson na frente e multilink atrás conferem um rodar consistente, similar ao de carro de passeio, mesmo em velocidades maiores. No entanto, como em qualquer carro mais alto, nos trechos mais sinuosos, a carroceria sacoleja um pouco. Contudo, é preciso “forçar muito a barra” para que as assistências dinâmicas da Toro entrem em ação. Nas curvas, a direção se mostra extremamente precisa: é fácil colocar a picape exatamente onde se deseja.
*Por Luiz Humberto Monteiro Pereira, da Agência AutoMotrix