Projeto para homenagear Damares Alves gera polêmica e denúncia no interior de SP

O vereador Moises Lazarine (DEM) protocolou na última semana um projeto de decreto legislativo que prevê conceder o título de cidadã honorária de São Carlos à ministra Por Folhapress

Um projeto para homenagear a ministra Damares Alves (Direitos Humanos) na Câmara de São Carlos gerou polêmica e uma denúncia de intolerância religiosa na cidade do interior paulista.

Continua após a publicidade

O vereador Moises Lazarine (DEM), 35, protocolou na última semana um projeto de decreto legislativo que prevê conceder o título de cidadã honorária de São Carlos (a 232 km de São Paulo) à ministra.

Continua após a publicidade

A proposta chegou a grupos de Whatsapp na cidade e o vereador passou a ser alvo de críticas, que o fizeram ir a Brasília protocolar um pedido de investigação do caso na Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, vinculado ao Ministério de Direitos Humanos, comandado por Damares.

Continua após a publicidade

Entre as mensagens, pessoas da cidade disseram que homenagear a ministra seria um “culto à imbecilidade” e que “São Carlos não é a terra da goiaba”, em alusão a uma afirmação de Damares de que após ter sido estuprada subiu num pé de goiaba em que ia para chorar.

Continua após a publicidade

Outras postagens criticavam evangélicos – religião da ministra e do vereador -, chamados de “evanjégues”, e até propunham soltar Damares “dentro de um presídio com uns 15 presidiários que não veem mulher há dez anos”.

Continua após a publicidade

O projeto de homenagem é o quinto do gênero apresentado pelo vereador na atual legislatura, iniciada em 2017.

Continua após a publicidade

Damares morou por dez anos na cidade do interior paulista, onde graduou-se em direito pela extinta Faculdade de Direito de São Carlos e trabalhou na prefeitura.

Continua após a publicidade

“Uma pessoa, administrador do grupo, tudo que é sobre questão de evangélico ele ridiculariza. A postura dele foi nítida de intolerância religiosa, absurda, além de infeliz, no sentido de desrespeitar não apenas uma ministra, mas a mulher brasileira”, disse o vereador.

Continua após a publicidade

Para ele, o objetivo das críticas recebidas é também tentar pressionar a Câmara para não aprovar o projeto. Antes de ir a plenário para apreciação dos 21 vereadores, a proposta tem de passar pelas comissões da Casa.

Continua após a publicidade

Além de a ministra ter morado uma década em São Carlos, Lazarine disse que a história de vida de Damares o motivou a apresentar o projeto.

Continua após a publicidade

“Muitos não conseguem desassociar a imagem dela como pastora e acabam confundindo discursos e falas em ambiente de igreja, para um público cristão, e falas como ministra. Como ministra tem se mostrado uma pessoa que cuida de todas as minorias.”

Continua após a publicidade

Nesta terça-feira (22), o vereador protocolou o pedido na ouvidoria, em Brasília, e, nesta quarta (23), encontrou a ministra.

Continua após a publicidade

“Ela está triste com a situação, com a forma como foi tratada, e pediu que eu retirasse a proposta, mas eu insisti pois vai ser questão de honra, até para corrigir a injustiça que está sendo feita com ela”, afirmou.

Continua após a publicidade

O ministério informou à reportagem da Folha de S.Paulo que Damares vai processar os responsáveis pela ofensa.

Continua após a publicidade


*Por Marcelo Toledo, da Folhapress