A Terra já rompeu em 2025 sete dos seus nove limites planetários, o que representa 77,8% do total. Esses indicadores medem se o planeta ainda opera em condições segurar para sustentar a vida.
Em 2024, seis processos estavam confirmadamente em situação crítica. Ou seja, agora há um limite a mais perigosamente ultrapassado.
A constatação é de um estudo do Instituto Potsdam para Pesquisa sobre o Impacto Climático (PIK), que analisou os processos essenciais para a manutenção do equilíbrio ambiental na Terra.
Oceanos
Segundo o levantamento, um novo sinal de preocupação é que em 2025 a acidificação dos oceanos, que no ano passado estava “no limite”, entrou na lista dos processos que já ultrapassaram a fronteira de segurança.
Caso não haja controle do aumento global da temperatura, a tendência é que aumente a frequência de desastres climáticos.
No estudo, os cientistas identificaram sete processos que já ultrapassaram níveis considerados seguros relacionados aos seguintes tópicos:
- Mudanças no uso da terra do planeta: tem a ver com o desmatamento e a conversão de ecossistemas naturais em áreas agrícolas ou urbanas.
- Mudanças climáticas: algo ligado de forma direta ao aumento da temperatura devido à poluição por gases do efeito estufa, que têm consequências graves para o planeta.
- Biodiversidade: tem a ver com a extinção de várias espécies, causada pela degradação dos habitats naturais e pela exploração excessiva dos recursos.
- Ciclo do nitrogênio e fósforo: está relacionado ao uso excessivo de fertilizantes, que prejudica a qualidade da água e afeta os ecossistemas aquáticos.
- Uso de água doce: tem a ver com a demanda crescente por água em várias regiões, que está se aproximando de níveis críticos.
- Poluição química por compostos como microplásticos: diz respeito ao acúmulo de produtos químicos tóxicos no ambiente, que representa uma ameaça crescente à saúde humana e à biodiversidade.
- Acidificação dos oceanos: tem a ver com o aumento de CO na atmosfera, que torna os oceanos mais ácidos, prejudicando a vida marinha e os recifes de corais.
Já os dois processos que ainda não estão próximos de serem ultrapassados são:
- Aerossóis na atmosfera: relacionado ao o aumento de partículas suspensas no ar, que vem alterando os padrões climáticos regionais e afetando a saúde humana.
- Camada de ozônio: a degradação dessa região da estratosfera já estava em andamento, mas ações internacionais ajudaram a protegê-la.
Esses limites planetários foram propostos em 2009 por Johan Rockström, que é o diretor do PIK.
Desde então, pesquisadores têm trabalhado para identificar e quantificar esses processos, numa forma de chamar atenção para a emergência climática.
