Uma pedra pode parecer apenas mais um obstáculo no meio de uma propriedade rural. Mas, para Rasmus Petersen, elas ganharam outro destino: virar castelos, igrejas, pontes e pequenas construções que parecem ter saído de uma cidade em miniatura.
Imigrante dinamarquês que viveu como agricultor no estado de Oregon, nos Estados Unidos, Petersen começou a montar as estruturas em 1935, aos 52 anos. A ideia surgiu durante os meses mais frios, quando ele passou a aproveitar as pedras retiradas de suas terras para criar algo completamente diferente do trabalho na fazenda.
O passatempo cresceu aos poucos até dar origem ao Petersen Rock Garden, um jardim de aproximadamente quatro acres que reuniu construções de pedra, áreas ajardinadas e elementos com água. O lugar se tornou uma atração regional e entrou para a história da região central do Oregon.
Como um agricultor começou a construir castelos de pedra?
Antes de criar o jardim, Petersen dedicava boa parte da vida à agricultura. Ele chegou ao Oregon em 1905 e, no ano seguinte, estabeleceu-se em uma propriedade rural de 80 acres perto de Redmond.
Com o passar dos anos, ampliou suas terras e cultivou feno e grãos, além de criar animais. Durante a Grande Depressão, também passou a cultivar batatas.
Foi em meio à rotina rural que surgiu a ideia de aproveitar os meses de inverno para trabalhar com as pedras encontradas na propriedade. Em vez de descartá-las, ele começou a organizá-las para formar pequenas construções.
O que parecia apenas uma atividade para ocupar o tempo ganhou novas proporções. As estruturas foram se multiplicando e passaram a representar castelos, igrejas, pontes e outros marcos arquitetônicos.
Pedras comuns ganharam formas surpreendentes
O trabalho não dependia apenas de empilhar pedras. Petersen selecionava materiais de diferentes formatos, cores e texturas para compor suas construções.
Entre eles estavam ágata, jaspe e obsidiana, variedades encontradas na região. De acordo com o histórico do jardim, ele também recolhia pedras em áreas situadas a até cerca de 85 milhas de sua casa.
As pequenas pontes conectavam partes do espaço, enquanto castelos, igrejas e monumentos ajudavam a criar a aparência de um vilarejo em miniatura. Fontes, lagos, musgos e flores foram incorporados ao ambiente, deixando o conjunto ainda mais elaborado.
Assim, o projeto foi além das construções isoladas: tornou-se um jardim em que as pedras, a vegetação e a água faziam parte da mesma paisagem.
Jardim de pedras virou atração turística
A curiosidade em torno das construções começou a atrair visitantes antes mesmo de o jardim estar totalmente desenvolvido. Em 1938, o local teria recebido mais de 7 mil pessoas.
Com o tempo, o espaço chegou a ocupar quatro acres e passou a incluir outras atrações, como um museu, um restaurante e um lago com pequenas ilhas.
Relatos históricos indicam que, no início da década de 1950, o jardim teria alcançado cerca de 120 mil visitantes por ano. O número mostra a dimensão que o passatempo de Petersen ganhou ao longo dos anos.
Uma pequena placa instalada sob uma réplica da Estátua da Liberdade traz a frase: “Aproveite a vida. Ela passa mais rápido do que você pensa”. A mensagem acompanha um lugar que nasceu de uma atividade feita durante o inverno e se transformou em parte da história local.
O que aconteceu com o jardim depois da morte de Petersen?
Petersen continuou dedicado à criação até morrer, em 1952. Sua esposa, Nyleta Harris, manteve o espaço até a morte dela, em 1987. Depois, a propriedade ficou sob os cuidados de familiares.
Em 2010, uma família do Oregon comprou o local, e iniciativas de preservação passaram a buscar recursos para cuidar do jardim, do museu e do santuário de pavões. O museu passou por uma reforma em 2022.
Nos anos seguintes, voluntários também participaram dos trabalhos de manutenção e restauração. A preservação do espaço passou a depender não apenas das construções deixadas por Petersen, mas também do cuidado com a paisagem e com as demais estruturas.
O jardim segue ligado à ideia que o agricultor começou a desenvolver em 1935: transformar pedras retiradas da terra em pequenas obras que atravessaram gerações.






